No jardim, Lucretia olhou para Rhys pelo canto do olho, mas não disse nada. Eles continuaram a andar mais um pouco.
— Como estão as coisas no bando? — ela perguntou, finalmente, quebrando o silêncio.
Lucretia falava com Haylie por telefone, então, sabia algumas coisas. E a amiga estava muito feliz, por sinal. Ela foi agraciada com um companheiro predestinado, o que foi uma grata surpresa para o bando inteiro. A raridade do acontecimento merecia comemoração e indicava que aquele bando era abençoado pela deusa da Lua.
— Estão bem. — Rhys falou. — Precisamos nos casar.
— Antes eu tenho que subir ao trono, aqui. — Lucretia disse, mas Rhys sacudiu a cabeça.
— Eu não gosto disso. Não gosto de você aqui com esse puto do Sheffer por perto. — Rhys acabou falando mais do que deveria e sabia. Ele não queria parecer um macho ciumento, mas a verdade era que Lucretia era dele e saber que ela estava em um lugar onde o ex dela, alguém que ela supostamente amou e que o próprio macho parecia querê-la de volta, era inadmissível!
Não, Rhys não pensava que Lucretia o trairia. Se ele pensasse que ela era desse tipo, nunca teria aceitado ser noivo dela. Não seria motivo de chacota entre os outros Alfas.
— Você ainda o ama? — Rhys perguntou antes que Lucretia pudesse falar alguma coisa. Ela o olhou com confusão. — Sheffer. Você está aqui, de novo, ele tão perto… você ainda o ama?
Ele já tinha perguntado isso antes. Mas antes era diferente, ela estava longe de Kolby. Agora, convivia com ele. Sentimentos poderiam aflorar novamente.
— Não. — Lucretia respondeu com convicção. — Não vou dizer que não doeu, mas é mais uma questão de perceber o quanto se perdeu tempo com alguém. Tempo, carinho, dedicação. E aquela pessoa não merecia. Mas eu não o quero. E jamais voltaria com ele.
Ela não odiava Kolby, mas não queria nem estar perto dele. Kolby não merecia nem a energia que se desgastava ao odiar alguém.
Rhys parou e colocou as mãos na cintura de Lucretia, puxando-a para ele.
— Tem certeza? Vocês foram noivos por anos.
— Tenho. Para ele, bastou Deidra se jogar pra cima dele que ele se esqueceu de mim. E pra mim, bastou vê-lo transando com ela e, claro, expondo o plano de me matar depois de casar comigo, pra tomar o poder.
Rhys não tinha pensado tanto nesse pedaço de informação: Kolby Sheffer tinha planejado matar a Luna do bando dele. Uma traição terrível. Isso mostrava o tipo de escória que ele era.
— E ele vai pagar por isso. — Rhys disse.
— Eu sei.
— Alfa Bellanti, eu quero conversar sobre o meu casamento com Lucretia, pela manhã, se possível.
— Oh, claro! — Corrado falou. Estar ligado por casamento aos Jarsdel colocaria o LongFang em um novo patamar. — Eu não sei se você se lembra, mas quando você era mais novinho, havia um acordo para que vocês dois se casassem. Pelo visto, era o destino, mesmo.
Sim, Rhys lembrava. As famílias ainda eram amigas e Rhys se casaria com ela, com a herdeira. Os dois bandos juntariam forças e seriam o grande território mais poderoso de todo o país.
As palavras de Corrado fizeram lembranças dolorosas sobre o pai dele ressurgirem, porém, ele se controlou, o que surpreendeu o próprio lobo dele.
— Pois é. — Rhys respondeu e se levantou. — Ah, no outro fim de semana, teremos uma reunião com os outros Alfas. Lucretia irá representando o LongFang?
— Sim. — Corrado respondeu. — Eu havia me esquecido disso. Deidra ia…
O pai de Lucretia fez uma cara de desculpas.
— Hmm, Alfa Rhys, talvez fosse melhor que Lucretia fosse como seu par, não acha?

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