Laís instintivamente tentou soltar seu pulso.
Mas o aperto de Felipe tornou-se ainda mais forte:
— Laís, você precisa me explicar tudo isso...
Laís precisou parar, mas, antes que ela pudesse responder, Jorge já havia afastado a mão de Felipe com força, desferindo-lhe um soco no peito:
— Não sei que necessidade existe em te explicar a minha relação normal de parceria com a Laís.
— Se falarmos em explicações, Felipe, você não acha que é você quem deveria nos dar uma explicação razoável?
— Ah, é verdade, você já se explicou, você disse que sua relação com Sofia Ramos era como de irmãos.
— Muito bem, então, a respeito de Laís e eu, a minha explicação para você é: o que você tem com a Sofia, é a mesma coisa que eu tenho com a Laís.
— Laís, vamos!
Jorge foi extremamente duro e implacável!
Laís viu tudo, tendo a sensação de estar diante do golpe súbito de uma espada divina.
Embora a energia dele sempre transparecesse uma calma como a de uma fonte na montanha, quando partia para o ataque corpo a corpo, nem mesmo Felipe, que malhava constantemente, era páreo. Com um único soco, ele cambaleou dois passos para trás.
E aquele "parente" divino dela... Quem diabos era o pessoal que ele havia chamado para ajudá-la?
Ela já usava o Astor de modo muito eficiente, e agora lhe mandavam Jorge, com a presença de um deus!
Laís olhou nos olhos de Jorge, e não conseguiu evitar que seus olhos brilhassem num instante.
Naquele momento, ela sentiu uma saudade tremenda do seu "parente" no exterior, desejando enormemente o aparecimento dele e as surpresas que ele traria.
As palavras de Jorge deixaram Felipe engasgado da garganta aos pulmões. Faltou-lhe o ar em um instante, sem conseguir pronunciar uma única palavra.
Jorge se virou, agarrando o pulso de Laís e puxando-a rapidamente para longe.
Laís apressou-se a destravar as portas do carro com as chaves, e Jorge não hesitou, entrou no banco do motorista e sinalizou para Laís entrar no banco do carona.
Laís hesitou por dois segundos, mas obedeceu. Entrou no banco do carona de seu "Pequeno Elfo", afivelou o cinto e ajeitou-se.
No instante seguinte, Jorge ligou o motor e o "Pequeno Elfo" arrancou pelas ruas de forma suave, sumindo da vista de Felipe.
A sensação de ser traído pelo mundo inteiro deixava seu coração como se estivesse jogado num liquidificador, a dor era tamanha que seu corpo começou a ter espasmos.
Quando Felipe se preparava para entrar no carro, uma Ferrari esportiva vermelha surgiu ao seu lado repentinamente.
A porta se abriu, revelando uma mulher estonteante com grandes cabelos ondulados e um vestido vermelho longo descendo do veículo. Ela usava óculos escuros, saltos altíssimos, possuía uma pele pálida e fria, e segurava um imenso buquê de rosas vermelhas deslumbrantes. Parecia uma chama noturna flamejante.
Num primeiro olhar, Felipe mal conseguiu reconhecê-la.
Só quando a outra exclamou surpresa:
— Felipe!
Felipe olhou por três segundos, antes de confirmar que aquela mulher cheia de maquiagem carregada e que parecia uma garota de programa, era, de fato, Sofia Ramos.
As sobrancelhas de Felipe uniram-se numa linha reta:
— Por que... você se vestiu desse jeito esquisito?
Sofia olhou para o seu próprio sobretudo vermelho, sob o qual vestia um vestidinho preto de alcinha, ela se perfumou e arrumou toda só para ofuscar qualquer mulher no aeroporto.

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