Ela viera ao aeroporto para buscar Jorge.
Há exatamente uma hora, através dos empregados da família Andrade, ela ficara sabendo acidentalmente do retorno de Jorge ao país.
A frieza que Jorge demonstrou para com ela era mais gelada que o vento da Sibéria.
Ele não atendia as suas ligações, não respondia às suas mensagens, e sequer lhe avisou que voltaria ao Brasil.
Porém, ela não podia perder Jorge, nem o grande barco que era a família Andrade, a qualquer custo, precisava agarrar-se a ele.
Por isso, vestira as suas melhores roupas, só para que Jorge a notasse na multidão num relance, ficando hipnotizado com a sua beleza avassaladora.
— Não está bonito?
Ouvindo o questionamento de Felipe, Sofia girou por instinto, a sua autoconfiança diminuindo instantaneamente.
A expressão de Felipe ficou ainda mais franzida. Ele estava fervendo de raiva e suas palavras saíram sem a mínima gentileza:
— Muito exagerado, não combina com você.
— Você devia se manter fiel ao seu próprio estilo em vez de ficar mudando. Esse estilo sensual e exótico não tem a ver com você.
Sofia sentiu o golpe e contraiu a boca em desgosto: "..."
Felipe enfiou a mala nas mãos dela:
— Você veio me buscar, não é? Não me diga que você também veio buscar o Jorge.
Sofia: "..."
Aquela palavra "também" acendeu os alertas da sua mente.
Vendo que Felipe já se dirigia para o carro dela, ela agarrou as malas, correu desajeitada em seus saltos e, arfando fortemente ao alcançá-lo, indagou:
— Felipe, como assim também vim buscar o Jorge? Quem mais veio buscá-lo?
Felipe nem virou a cabeça. Estava com tanta raiva que poderia matar um touro:
— Quem mais seria? Laís.
— Ela acabou de levar o Jorge embora com um buquê de flores. Os dois estavam conversando e rindo, como se se conhecessem há muito tempo.
— Sofia, desconfio seriamente que nós dois fomos feitos de idiotas. Os dois estão envolvidos há tempos, e são muito íntimos!

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