Quem falava era Patrícia Lacerda.
Ao saber que Felipe não ia trabalhar havia uma semana e se enfurnara nas obras da Belle de Nuit como supervisor, Patrícia quase explodiu de raiva. Ela arrastou Melissa consigo e invadiu o canteiro de obras como um furacão.
Elas haviam acabado de subir as escadas a tempo de ouvir a condição que Lídia impusera a Felipe, e os pulmões de Patrícia se inflaram de ira.
Ela marchou apressadamente, colocou as mãos na cintura e parou diante de Lídia, que era meia cabeça mais alta. Esforçando-se para ficar na ponta dos pés e parecer imponente, gritou:
— Lídia Lima! Você se acha a rainha da cocada preta junto com sua filha!
— Acha mesmo que meu filho não vive sem ela? Fique sabendo que a fila de dondocas querendo se casar com a família Vasconcelos vai de Marbella à Cidade Norte! E você ainda quer que a nossa família inteira peça desculpas? Ah, vá se catar! Que ousadia a sua!
Lídia permaneceu calmamente no mesmo lugar. Cruzou os braços e lançou a Patrícia um olhar tranquilo, mas avassalador:
— Patrícia, veja bem a situação. É o seu filho quem está rastejando atrás da minha filha, arrastando o processo porque não aceita o divórcio.
— Quanto às suas desculpas, não me importo nem um pouco. Pelas atrocidades que você cometeu, mesmo que rastejasse aos meus pés, eu jamais perdoaria.
— ...
Patrícia quis rebater, abriu a boca, mas percebeu que não tinha argumentos.
Era óbvio para todos: o escândalo causado por Laís visava unicamente o divórcio.
O que a enlouquecia era que o seu filho idiota, que nunca parecera dar tanta atenção à mulher antes, agora estava implorando, recusando-se a separar e ainda se prestando a ser o pedreiro da sogra.
Vendo a mãe sem palavras, Melissa tomou a frente, com um sorriso debochado nos lábios:
Melissa, porém, o interrompeu freneticamente:
— Para ter o divórcio, as condições são essas! Se não quiserem, que a Laís volte com o rabo entre as pernas e a criança para a nossa família. Que vá trabalhar e cuidar da bebê, como manda o figurino!
— Considerando a origem humilde de vocês, foi muita sorte casar com os Vasconcelos! Que história é essa de cerimônia e dote? O fato de meus pais permitirem a entrada dela já foi um prêmio e tanto!
— Lídia, há coisas que meus pais e o meu irmão não têm coragem de dizer, mas eu não tenho papas na língua! Com a laia de vocês, quem em Marbella aceitaria um casamento desses? Desde que a sua filha deu à luz, a sorte e o bom andamento da nossa família foram para o ralo. Escândalos pipocam a todo o momento. Com razão dizem que a mulher deve atrair sorte para o marido...
Melissa despejava impropérios e cuspia palavras sem parar, exultante, com a arrogância vil de quem acha que está no controle.
Patrícia, ao ouvir o discurso, aplaudiu mentalmente. Seu raciocínio era lento, e ela não tinha muito traquejo em discussões.
Contra alguém como Lídia, a filha tagarela era a arma perfeita... Havia sido uma excelente ideia chamá-la de volta do País A.

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