Um brilho de satisfação passou pelos olhos de Patrícia, mas ela fingiu magnanimidade ao dar um tapinha no ombro de Felipe:
— Filho, converse com calma. Não vire motivo de piada aqui no hospital.
Após dizer isso, ela lançou um olhar cortante a Laís e saiu do quarto com elegância.
O quarto mergulhou em um silêncio mortal.
Durante o confronto com Patrícia, Laís havia puxado acidentalmente a mão onde estava o soro. A agulha saiu do lugar, e a região do furo já estava bem inchada, mas ela não sentia um pingo de dor.
Ela manteve a cabeça baixa, recusando-se a olhar para Felipe.
Antes, ela o amava mais do que à própria vida, mas agora... todos os sentimentos em seu coração haviam se deteriorado, e o amor de outrora não podia mais ser recuperado.
Felipe notou o ferimento inchado. Suas sobrancelhas franziram-se levemente enquanto ele se aproximava e sentava na beira da cama.
Ele segurou a mão gélida dela para examinar, colocou a agulha deslocada no lugar e ajustou o esparadrapo.
Terminado o curativo, ele soprou suavemente sobre a ferida, sua voz amolecendo de modo involuntário:
— Está doendo? Você é sempre tão estabanada, nem com uma agulha enfiada na veia consegue tomar cuidado.
Ele era sempre assim.
Toda vez que ela achava que ele iria explodir de raiva, ele a surpreendia com um toque de ternura, fazendo as emoções acumuladas no peito dela parecerem um soco afundando no algodão, sem ter para onde extravasar.
Ela rapidamente puxou a mão de volta, recuando instintivamente o corpo para manter distância dele:
— Vá direto ao ponto, não precisa usar esses truques comigo.
Felipe suspirou, o tom de voz ainda amável:
— Laís, somos marido e mulher e agora temos uma filha, por que criar tanta distância entre nós?
Laís ergueu a cabeça e encontrou aqueles olhos profundos.
No passado, ela teria se derretido com tal ternura, mas agora, permanecia inabalável:
— Não fui eu quem criou essa distância. As coisas chegaram a esse ponto, não há mais nada a dizer.

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