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A Segunda Vida da Senhora Laís romance Capítulo 27

Passaram-se bons segundos até que Felipe finalmente voltasse a si, seu tom ameno tornando-se repentinamente ansioso:

— Claro que não! Ela é a minha filha, como pode levar apenas o seu sobrenome?

Laís deu um sorriso gelado, com a turbulência emocional em seu peito finalmente se acalmando:

— Então você ainda se lembra de que ela é sua filha?

— Você já segurou o filho de Sofia pelo menos umas cem vezes, não foi? Mas e ela? Desde o momento em que nasceu, viu o pai apenas uma vez. Ela por acaso é uma bastarda que precisa ser escondida? Não é digna de ter um pai?

O nariz de Laís ardeu e, embora não quisesse chorar, as lágrimas transbordaram de seus olhos incontrolavelmente.

Quando se tratava de seus próprios problemas, ela nunca chorava. O seu costume era simplesmente resolver a situação.

No entanto, ela não suportava ver a filha sofrer a menor injustiça, a angústia era tanta que parecia que a mataria.

Aquele era o seu tesouro mais precioso, a vida que ela lutara com unhas e dentes para trazer ao mundo aos trinta anos de idade, quase morrendo no processo.

Só de pensar em seu bebezinho sendo tratado com tanta indiferença pelo próprio pai, seu coração ardia como se estivesse fritando em óleo quente.

— Não, eu...

Felipe pareceu atordoado por alguns segundos, com o seu rosto habitualmente calmo e estoico transparecendo uma ponta de desespero.

Apenas naquele momento percebera que talvez tivesse negligenciado a filha e Laís um pouco demais.

O nome... Não, ele tinha sim pensado em nomes para a filha, passara dias debruçado sobre dicionários em busca do nome perfeito.

O motivo da sua demora para se decidir era que ele acreditava que o nome da filha deveria ser especial, extraordinário.

— Escute a minha explicação, Laís.

Seu pânico começou a ceder enquanto dava um passo à frente para segurar as mãos de Laís:

— Eu pensei no nome dela sim, só não tomei a decisão final ainda. Eu jamais deixaria de me importar com a minha própria filha.

— Vamos parar com esse papo de separação, isso não traz sorte. O nosso primeiro filho deve levar o sobrenome do pai, não acha?

A voz de Felipe suavizou-se mais uma vez, consolando-a com paciência.

Percebendo que Laís não resistia, ele a puxou mais uma vez para seus braços:

— Eu prometo que vou cuidar do registro dela hoje mesmo. Não importa que não tenhamos feito a festa de um mês, na celebração dos cem dias, faremos um evento grandioso. Convidarei toda a alta sociedade de Marbella para a festa, será um espetáculo inesquecível, ok?

Novamente nos braços dele, Laís sentiu o aroma familiar de pinho invadir suas narinas.

Ela queria com todas as forças resistir, mas parecia que todos os seus ossos haviam sido arrancados de repente, drenando sua força, impedindo-a de lutar.

O telefone tocou exatamente naquele instante, era a Dona Zélia ligando:

Capítulo 27 1

Capítulo 27 2

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