Suas duas assistentes perfilavam-se uma de cada lado, quais estátuas guardiãs inexpressivas, acentuando ainda mais a forte presença da mulher.
Laís caminhou segurando os cafés e colocou um diante de Zoraida:
— Diretora Vargas, o seu café.
Zoraida sequer levantou as pálpebras, apenas inclinou ligeiramente a cabeça, pegando a alça da xícara com dois dedos.
Ao dar um pequeno gole, sua testa franziu-se no mesmo instante, e ela bateu a xícara com força contra a mesa:
— Designer Monteiro, é assim que você trata seus clientes?
Sem alterar a expressão, Laís olhou para ela serenamente:
— Diretora Vargas, o café foi feito conforme seu pedido, sem açúcar e com leite. Por favor, poderia me dizer do que não gostou?
Zoraida soltou uma risada fria, seu olhar carregado de opressão:
— Foi só passar um café, e ainda assim você demorou uma eternidade. Fica difícil não duvidar de tudo que alardearam, de que você é a principal designer do Estúdio Rio Grande, com uma suposta eficiência altíssima. Pura enrolação!
Instintivamente, a raiva começou a subir pelo peito de Laís.
Como aquela Zoraida era autoritária; não parecia estar ali para discutir uma parceria de negócios, mas apenas para procurar confusão.
Entretanto, ao recordar-se do Projeto da Vila Turística Classe S nas mãos da cliente, orçado em mais de um bilhão, e que, se o assumisse, marcaria o maior avanço em sua carreira como arquiteta e designer... Laís fechou os olhos e conteve a irritação.
Escondida sob a mesa, ela cerrou levemente o punho, mantendo o rosto impassível:
— Diretora Vargas, o design prova-se através de obras e resultados, e isso em nada se relaciona ao tempo necessário para preparar um café. Afinal, a minha função não é ser barista. Que tal irmos direto ao ponto e falarmos do nosso negócio?
— Insolente!
As sobrancelhas de Zoraida uniram-se bruscamente enquanto ela repousava a xícara de forma violenta sobre a mesa de reuniões:


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