Após alguns segundos em silêncio, ele ordenou a César:
— Verifique a conta do cartão que entreguei à senhora Laís há muito tempo. Quanto tem de saldo?
César:
— Aquele cartão sempre esteve com a velha senhora. A senhora Laís nunca teve acesso a esse dinheiro. Todas as despesas feitas lá eram da velha senhora.
O olhar de Felipe se tornou gélido:
— O que você disse? Nestes cinco anos, ela não encostou em um centavo? E como ela tem se sustentado nesses últimos cinco anos...?
Felipe estava perplexo por dentro.
Como isso seria possível?
Nesses cinco anos, as despesas da Vila das Rosas, todas as suas roupas e até mesmo os valiosos presentes que ela lhe dera somavam uma fortuna astronômica, muito além do que o salário de Laís poderia cobrir.
Desde que entregara o cartão a ela, ele nunca mais questionou nada. Em sua mente, era óbvio que o dinheiro usado por ela saía daquela conta, e ele estava tranquilo com isso.
César:
— Não usou. A velha senhora sempre a monitorou de perto e não a deixava gastar nem um tostão seu. A senhora Laís é orgulhosa e realmente nunca utilizou o cartão, mas me pediu para não lhe contar, dizendo que não queria causar intrigas entre o senhor e a sua mãe...
As palavras do seu assistente fizeram o coração de Felipe se encher de remorso.
A Laís do passado era uma mulher compreensiva e que sempre se colocava em seu lugar.
Sofrendo tantas injustiças, ela nem sequer tentara buscar o seu apoio, temendo atrapalhar o relacionamento dele com a mãe.
Mas de onde, nestes cinco anos, ela tirava tanto dinheiro para bancar gastos tão altos?
Seria possível que tudo o que Gustavo Matos falara fosse verdade?
Será que ela, além de trabalhar no Grupo Vasconcelos, realmente pegava diversos bicos escondida?
Uma amargura indescritível brotou no peito de Felipe, e sua voz, inconscientemente, se abrandou:
— Pelo visto, todo esse escândalo tem motivo. Fui eu que a negligenciei por muito tempo...
César:
— Tem algo que sempre quis lhe dizer, mas nunca ousei falar.


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