Entrar Via

A Segunda Vida da Senhora Laís romance Capítulo 46

Cinquenta milhões para comprar o divórcio, para arrancar Aline da família Vasconcelos... Se não tivesse ouvido com os próprios ouvidos, Laís acharia impossível viver numa situação dessas no século vinte e um.

A filha não passava de um objeto para eles?

Nem se tratava de uma linhagem imperial a ser preservada!

Ela riu de tanta raiva. O corpo de Laís tremia e o aperto sufocante que tomava conta de seu coração não permitia que nenhuma palavra saísse.

Porém, quem não conseguiu suportar a situação foi Carla, que, com uma espátula em mãos, espionava tudo do outro lado da porta.

Quando escutou a confusão, Carla estava cozinhando. Sua intenção era preparar algo simples para que pudessem comer juntas.

Ao ouvir a movimentação frenética de passos do lado de fora, desconfiou que havia algo errado e, segurando a espátula, correu até a porta da casa de Laís.

A porta estava apenas encostada. Ela não invadiu imediatamente, mas conseguiu escutar nitidamente a conversa.

Sem aguentar mais, Carla entrou feito um furacão e, brandindo a espátula com sementes de pimenta pelo ar, atacou na direção de Patrícia:

— Sua velha perversa e sem coração! Como pode existir no mundo uma avó biológica tão maluca quanto você!

— Querendo ou não, o seu sangue também corre nas veias de Aline! Desde que a menina nasceu, você se virou e foi embora depois de olhar pra ela uma vez só! E agora tem a cara de pau de tentar comprar o rompimento de laços familiares!

— Não é à toa que a sua família é tão escassa de herdeiros. O problema é ter uma praga de mulher como você causando estrago! Se você tem tanta coragem, repita o que disse há pouco que eu vou gravar e jogar na internet! Assim, todos vão conhecer essa sua cara machista e antiquada!

...

Carla sacudia o corpo de tanto ódio. Balançando a espátula, intercalava xingamentos com investidas na direção da megera.

Acostumada à subserviência, Patrícia ficou branca feito cera. Cobrindo a cabeça, começou a correr e a se esconder, mas, por descuido, as sementes de pimenta voaram da espátula e entraram em seus olhos.

— Aaaaa...

Como se seus olhos estivessem ardendo em chamas, Patrícia soltou um grito desesperado pela queimação insuportável.

Com as mãos no rosto lacrimejante, incapaz de revidar, ela juntou a sua turma e correu envergonhada, cobrindo a cabeça até fugir da casa de Laís.

Vendo aquela fuga deprimente, Laís e Carla se entreolharam e sorriram, tocando as mãos com entusiasmo, e caíram numa longa crise de risos.

Carla assentiu de forma veemente.

— Isso mesmo, agora você tem aliados fortes. Não sinta medo, não se acovarde, encare eles de frente até o fim!

Carla se encheu de orgulho de si mesma naquele dia e bateu com a mão no peito:

— Se fosse antes, eu podia até estar morrendo de raiva, mas nunca ia ter essa audácia para te defender como fiz hoje!

— Mas agora, sabendo dos poderosos contatos que você tem, sinto um encorajamento gigantesco em mim.

— Laís, passei todos esses anos ao seu lado, e até que enfim estou vendo você se libertar desse buraco!

Enquanto falava, os olhos de Carla marejavam. Ela abraçou Laís como se fosse um urso carinhoso.

Logo em seguida, jogou o braço por cima do ombro de Laís e a arrastou até o seu apartamento, ali na frente:

— Vamos, vem provar a Caçarola Picante insana que eu preparei para o almoço...

Histórico de leitura

No history.

Comentários

Os comentários dos leitores sobre o romance: A Segunda Vida da Senhora Laís