O desejo cobiçoso de Sofia por Felipe nunca havia mudado.
Mesmo agora, com a série de acidentes e seus recursos minguando cada vez mais, a obsessão que tinha por Felipe só se aprofundara.
Sempre tivera a certeza de que, assim que Felipe e Laís se divorciassem, logo seria ela a assumir aquele posto.
Afinal, ela e Felipe conheciam as raízes um do outro, tinham uma relação afetiva sólida.
Mais ainda, eles compartilhavam um passado semelhante, ambos já haviam passado por um casamento.
Sem mencionar o apoio que agora recebia da família Siqueira. Eles não precisavam mais carregar o fardo moral...
Além disso, sua tia sempre foi incrivelmente boa para ela, encobrindo as suas atitudes mais do que a própria mãe faria.
Ela sentia que, escolhendo a oportunidade certa para fazer Felipe aceitá-la inteiramente, tornar-se sua mulher seria a tarefa mais fácil do mundo.
O que ela não esperava em hipótese alguma era que, no meio do caminho, surgiria uma Zoraida.
Vendo o encabulamento estampando o rosto de Zoraida e ouvindo as declarações que acabara de dar, Sofia quase surtou de ódio.
Queria bater o pé ali mesmo, jogar a verdade na cara de Zoraida, ordenando que abandonasse aquelas esperanças inatingíveis.
Porém, nesse instante, o olhar de Melissa virou-se para ela de forma agressiva:
— E por que não? O que a Zoraida não tem melhor que aquela Laís? Em origem familiar, competência, beleza, corpo...
Melissa fez de tudo para bajular Zoraida, ao mesmo tempo em que lançava olhares significativos a Sofia:
— Se o Felipe realmente se divorciar da Laís, ele e a Zoraida formam um belo casal. O problema é que, no momento, a cabeça do meu irmão ainda é levada pela Laís e a pirralha dela. Está teimando à toa.
— Zoraida, se você tiver um meio de fazer o meu irmão abandonar de vez essas duas, e ainda impedir que ele perca muito dinheiro nesse divórcio, toda a família Vasconcelos será grata a você.
Os olhos de Melissa correram velozes. No fundo, ela já tinha suas artimanhas muito bem esquematizadas.
E a posição do pai, Fernando Vasconcelos, era ainda mais ambígua... Desde o início, ele havia lavado as mãos para a situação, chegando até a bajular Laís quando ela veio arranjar confusão.
Faltava união entre eles, bem diferente do lado de Laís, que se aglutinava e compartilhava dos mesmos propósitos... Essa era uma das razões pelas quais haviam perdido tão feio.
Mas Melissa teimava em se rebelar contra as evidências. Desde menina colhera as glórias das vitórias, jamais engolira uma derrota tão desgraçada.
Especialmente agora, em que Laís havia unido forças com a família Andrade para destruir os Vasconcelos sem chance de defesa, tornava a derrota ainda mais indigerível.
Atualmente, Melissa fazia tudo para aproximar as duas aliadas que lhes serviriam muito, Sofia e Zoraida, ao mesmo tempo em que chamava Catarina Vasconcelos, sua irmã mais velha, de volta ao país.
Era hora de reunir cada pedaço de influência e contra-atacar, fazendo Laís, a pequena filha e a família Andrade pagarem pelos seus crimes!
Agora, a maior das oportunidades surgira!
O castigo não perdoava. O fato de a filha de Laís ter desenvolvido leucemia não fez a menor mossa em Melissa, muito pelo contrário, a delícia preenchia-lhe a alma num grito mudo de contentamento!

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