Ele se inclinou, mordiscando levemente o lóbulo da orelha dela. Um gesto íntimo que, em vez de aquecê-la, fez seu corpo estremecer de repulsa.
— Felipe, não toca em mim. Você... me dá nojo.
O sentimento de humilhação era insuportável. Se pudesse, evaporaria dali no mesmo instante. Debatendo-se intensamente, suas unhas rasgaram a pele da mão dele, deixando arranhões escarlates.
Os olhos de Felipe escureceram. Longe de recuar, ele fechou o cerco, e seu tom de voz soou baixo e perigoso:
— Daqui a pouco... você vai mudar de ideia.
Uma chuva sufocante de beijos caiu sobre ela, deslizando dos cantos da boca até o pescoço. Eram beijos opressores, inescapáveis... e torturantemente familiares.
Ao longo de cinco anos de casamento, e antes da gravidez, a química física entre os dois fora impecável.
Os momentos de profunda intimidade, outrora, foram o combustível que a fez se entregar de corpo e alma àquele homem.
Ela e Felipe formavam uma dupla invencível no escritório e perfeita na cama.
Antes da gestação, suas noites eram consumidas pela paixão. O próprio Felipe jurara que o corpo dela era seu vício.
Ela chegou a acreditar que aquilo era uma demonstração genuína de amor. A presença de Sofia, porém, provou que tesão não tinha absolutamente nada a ver com afeto.
Exatamente como naquele instante: ela reagia com aversão a cada toque dele, mas ele insistia em invadir seu espaço, dominá-la, ignorando completamente o que ela sentia.
Laís fechou os olhos. Lágrimas rolaram mudas.
As mãos dele deslizaram por baixo da barra da roupa dela. O toque de seus dedos a fez palpitar, enquanto a voz dele engrossava:
— Laís, eu sei que errei feio com você ultimamente. A culpa é minha. Peço desculpas por não ter te acompanhado durante o resguardo.
Ela mordeu o lábio com força para conter os soluços, mas o tremor do seu corpo a denunciava. Virando o rosto, ela retrucou:
— Cala a boca. Suas desculpas não valem nada.
Felipe tomou sua boca mais uma vez. Após um beijo intenso e profundo, recuou milímetros e disse:
— Eu vou compensar tudo. Amanhã mesmo, eu passo a Vila das Rosas para o seu nome.
— Já mandei fazer um cartão adicional. Tudo o que é meu é seu agora. Pode gastar como quiser.
Com um toque de falsa adoração, ele afastou uma mecha de cabelo do rosto dela:
— Eu sempre avisei que, depois de casados, divórcio estava fora de cogitação. Laís, pelo resto da vida, você é minha mulher. Você me ama demais, não é?
Seu rosto aproximou-se centímetros do dela. Ela podia sentir a respiração quente dele batendo em sua pele:
— Querida.
O sussurro veio pesado e rouco:
— Nossa química é... tão boa. Você conseguiria mesmo me deixar?
Ao mesmo tempo, as mãos dele não paravam.
Bzzzz...
Como um choque invisível disparando por seu sistema nervoso, um formigamento subiu pela espinha de Laís, anestesiando cada músculo.
O rosto impecavelmente esculpido estava muito perto. Os olhos de um breu profundo não desgrudavam dos dela.



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