Dessa vez, Laís realmente não entendeu nada. Ela mordiscou o canudo inconscientemente, olhando curiosa para os dois.
Logo, a sensação de que algo estava errado ficou mais forte.
Assim que Jorge colocava algo no prato dela, Astor se recusava a ser superado e logo servia mais leite.
Quando Jorge lhe entregava um guardanapo, Astor prontamente e com voz suave pedia que ela tomasse cuidado para não se queimar.
Superficialmente, os dois eram corteses, parecendo dois irmãos gentis e educados.
Mas, na realidade, faíscas voavam cada vez que os olhares se cruzavam. Nenhum deles estava disposto a perder no quesito presença.
Laís os observou por um tempo e não aguentou mais. Ela olhou de um lado para o outro, com um olhar perplexo e confuso:
— Espera aí... o que é que vocês dois estão fazendo a essa hora da manhã?
Jorge e Astor viraram a cabeça simultaneamente, trocando olhares.
O ar pareceu congelar por um segundo.
Em seguida, ambos falaram ao mesmo tempo, em tons estranhamente dóceis:
— Não é nada. Só estamos felizes de ver você comendo bem.
Laís: — ...
Ela não sabia o que exatamente estava estranho, mas também não conseguia encontrar um erro naquilo, certo?
Neste exato momento, o choro agudo e claro de um bebê soou no andar de cima.
Laís recuperou a energia no mesmo instante e levantou-se num pulo:
— A Aline acordou!
Ela subiu correndo as escadas.
Jorge e Astor trocaram outro olhar, se levantaram ao mesmo tempo e a seguiram de perto.
Entretanto, ao chegarem no quarto do bebê, perceberam que Laís já havia pegado Aline habilmente no colo e a estava consolando em voz baixa.
Ao notar que eles entraram, Laís, sem sequer virar a cabeça, comentou casualmente:
— Ah, propósito. Jorge, Astor. Se vocês dois não estiverem muito ocupados, poderiam me fazer um favor?
Os dois pararam na mesma hora e olharam para ela:
— Que favor?
Sem margem para discussão, Astor avançou, na tentativa de arrancar Aline dos braços de Jorge.
Quando Aline cruzou com o olhar rígido de Astor, começou a berrar apavorada. Ela se agarrou com todas as forças às roupas de Jorge, aninhando-se em seu abraço, deixando claro que não queria ser segurada por Astor.
Desta vez, Laís entendeu tudo perfeitamente.
Ela se levantou, olhou para ambos com atenção, depois pegou Aline e continuou a acalmá-la tranquilamente.
Assim que a bebê se acalmou, ela disse de forma firme:
— Jorge, Astor. No meu coração, vocês dois são como membros da minha família, como se fossem irmãos.
— Eu não quero que vocês fiquem com raiva um do outro por minha causa.
Ela fez uma pausa. Sua voz era calma, mas trazia uma resolução indiscutível: — Não tenho nenhuma intenção de procurar um namorado no momento. Mesmo se tivesse no futuro, não iria me envolver com amigos íntimos, conheço bem essa regra.
— Portanto...
Ela observou as expressões subitamente travadas dos dois e proferiu cada palavra de modo claro: — Parem com isso, estão me deixando muito pressionada.
Essas palavras caíram como um soco no estômago.
O semblante de Jorge e Astor mudou imediatamente.

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