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A Segunda Vida da Senhora Laís romance Capítulo 703

O ar pareceu congelar completamente naquele momento.

A mão de Jorge, estendida no ar, encolheu-se levemente antes de ser recolhida com extrema naturalidade.

Ele baixou o olhar, escondendo a decepção que passou como um relâmpago por seus olhos, e, quando os ergueu novamente, seu rosto já havia recuperado aquela habitual expressão gentil e serena.

— Laís, não pense demais.

Ele falou em voz suave, com um tom perfeitamente adequado: — Astor e eu estávamos apenas brincando. No futuro, teremos mais cuidado com os limites.

Astor também recuperou a compostura naquele momento e respirou fundo:

— Desculpe-me, fomos nós que passamos dos limites agora há pouco.

Vendo a postura de ambos recuando um passo, Laís finalmente soltou um longo suspiro de alívio em seu coração.

Ela disse em voz baixa:

— Astor, poderia, por favor, dar um pulo até aquele projeto e resolver a situação por lá?

— Jorge, importaria-se de me acompanhar para levar Aline ao hospital para os exames de rotina? Se estiver ocupado, posso pedir à minha mãe...

Há pouco, os dois quase haviam brigado por causa dela, o que fez Laís subitamente perceber que, de agora em diante, também precisava prestar atenção aos seus próprios limites.

No entanto, Astor era o guarda-costas pessoal designado por seu irmão para ela. Para garantir sua segurança, o contato frequente com Astor era indubitavelmente inevitável.

E Jorge não era apenas seu sócio, mas também o investidor de seu negócio. No trabalho, os dois certamente teriam que lidar com muitas coisas juntos, de forma inevitável.

Por um momento, Laís sentiu-se preocupada.

Ela nunca imaginou que alguém como ela, que desde a infância raramente teve sorte no amor ou pretendentes, de repente visse sua vida amorosa florescer tão intensamente após o divórcio.

O que ela deveria fazer?

A cabeça de Laís latejou com aquilo. De repente, ela pensou que talvez fosse melhor manter certa distância de Jorge e tentar ao máximo não ocupar o tempo dele com assuntos pessoais.

Quem diria que, antes mesmo de ela terminar de falar, Jorge a interromperia com um tom levemente apressado:

— Eu irei. A saúde de sua mãe não está boa; é melhor que ela descanse em casa.

— Além disso, a Aline cresceu e está mais pesada do que antes. Será mais fácil para mim segurá-la no colo, e ela também gosta de mim.

Quando terminaram tudo, o relógio já se aproximava do meio-dia.

Jorge carregava Aline nos braços, enquanto Laís e Dona Zélia os seguiam de perto.

Assim que saíram do consultório de pediatria, Laís ergueu os olhos distraidamente e, de supetão, deparou-se com algumas figuras conhecidas.

À frente deles estavam Felipe Vasconcelos e Sofia Ramos.

Quanto à série de pegadinhas e humilhações que haviam orquestrado, Laís não acompanhou muito o desenrolar, deixando Carla Torres responsável por lidar com aquelas pessoas.

Contudo, Carla a atualizava sobre o progresso diariamente, de modo que Laís sabia, por alto, que Sofia havia sido internada recentemente após ser picada por uma cobra.

Sofia parecia exausta e vestia roupas muito simples e casuais. Seu rosto não exibia qualquer vestígio de maquiagem, fazendo com que ela aparentasse ter envelhecido repentinamente mais de dez anos.

Felipe a amparava com bastante cautela ao caminhar, o que sugeria que ele tinha ido ao hospital para buscá-la no dia de sua alta.

Atrás deles, seguiam Patrícia Lacerda e o pai biológico de Sofia, Siqueira.

Laís ficou encarando Siqueira por um instante, sentindo-se genuinamente surpresa.

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