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A Segunda Vida da Senhora Laís romance Capítulo 72

Patrícia Lacerda correu para impedi-lo:

— Felipe, por que está gritando com ela? Ela já está sofrendo o bastante. Jorge acreditou naquelas fofocas e, desde que voltou, tem a tratado com frieza. Ela ficou internada por dois dias e ele nem apareceu.

— Olha só o que a sua esposa fez, isso é atitude que se preze? Se ela não tivesse inventado histórias e jogado lenha na fogueira, as coisas entre a Sofia e o Jorge teriam chegado a esse ponto?

— A Sofia está tão triste que nem quer mais viver. O Caio ainda é tão pequeno. Se acontecer alguma coisa com ela, o que vai ser da criança? Felipe, convença a Sofia a descer logo, ela sempre escuta você. Rápido!

Os olhos de Patrícia estavam cheios de lágrimas, com o rosto estampado de pura preocupação.

Felipe lançou-lhe um olhar frio, enquanto as palavras de Laís ecoavam em sua mente sobre o que Patrícia havia dito do lado de fora da sala de parto.

Ele não conseguiu evitar um comentário sarcástico:

— Quando a Sofia ameaça se matar, a senhora sabe se preocupar com o Caio. Por que nunca vi essa mesma preocupação com a sua própria neta?

— ...

Em um momento crítico como aquele, por que ele não pensava em salvar a moça em vez de desenterrar aquele assunto?

Patrícia piscava freneticamente para Felipe:

— Por... por que está falando dessas coisas desagradáveis agora? Vá convencê-la a descer, rápido!

Felipe ergueu ligeiramente os olhos, lançando a Patrícia um olhar gélido:

— Então, a minha própria filha, aos seus olhos, é apenas uma coisa desagradável?

— Que tipo de avó age assim?

Patrícia engasgou de raiva:

— Felipe, você...

— Se a Sofia quer se jogar do prédio, o responsável direto por ela não sou eu, é o marido. A senhora deveria ter ligado para ele, não para mim.

— Mãe, me desculpe a franqueza, mas a senhora precisa ter bom senso. Quem é que despreza a própria neta para ficar paparicando o neto dos outros todos os dias? Se preocupando com o filho alheio!

A voz de Felipe era fria, mas carregada de indignação. Agora, finalmente, começava a compreender a dor de Laís.

Mas Sofia começou a gritar histericamente:

— Tia, não chegue perto! Me deixe morrer, a morte resolve tudo, apaga tudo!

— O Jorge me ignora agora, o Felipe disse que não se importa mais comigo, a família Andrade nos trata com frieza, e até os meus pais... estão cada um cuidando da própria vida. Ninguém se importa comigo de verdade!

— Eu... eu sou a pessoa mais miserável do mundo. Fui abandonada na rua quando criança, tenho problema no coração, custei a ser adotada e, no fim, nem meu pai nem minha mãe me amam... Eu, eu acho que não mereço viver. Me deixem morrer, é melhor morrer de uma vez!

Sofia lamentava-se aos prantos, mas suas mãos seguravam o trinco da janela com toda a força, temendo escorregar e cair de verdade.

Assistindo àquela cena, Felipe não pôde deixar de sentir um arrepio de pavor.

Sem tempo para continuar discutindo com Patrícia, ele suavizou o tom, com uma expressão solene:

— Sofia, desça. Vamos conversar com calma, não cometa uma loucura.

Sofia balançou a cabeça:

— Eu... eu não vou, a menos que você prometa que não vai abandonar a mim e ao Caio, que vai continuar cuidando de nós. Senão eu... prefiro morrer.

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