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A Segunda Vida da Senhora Laís romance Capítulo 736

Após vários dias consecutivos sem receber nenhuma mensagem dele, o coração de Laís havia ficado com um vazio persistente.

Mas agora, ao vê-lo caminhando firmemente ao seu lado, aquela sensação de queda livre foi instantaneamente preenchida, e uma alegria instintiva transbordou como as águas da primavera.

Contudo, ela rapidamente reprimiu a palpitação em seu peito, evitando aprofundar-se naqueles pensamentos.

Jorge pareceu notar o olhar dela e virou levemente o rosto. O fundo escuro de seus olhos refletia a imagem dela, e a sua voz soou extremamente baixa:

— Está me espiando? Por acaso não me viu por uns dias e achou que fiquei ainda mais bonito?

Laís recolheu o olhar num solavanco, com as orelhas ainda mais vermelhas, mas retrucou com firmeza:

— Quem está te olhando? Eu estou prestando atenção no caminho.

Jorge deu uma risada grave e não disse mais nada, apenas encostou-se nela por puro reflexo, deixando os braços dos dois quase se tocarem.

Laís sentiu como se uma corrente elétrica percorresse o seu braço direito. No exato momento em que hesitava se devia ou não se afastar,

uma voz profunda e magnética soou repentinamente atrás deles:

— Laís, você também vai para o País A?

Laís e Jorge pararam de andar ao mesmo tempo.

Atrás deles, Felipe estava parado em silêncio, vestindo uma camisa de seda branca combinada com uma calça social preta, segurando uma mala de bordo preta de vinte polegadas.

Seu olhar percorreu os corpos dos dois, que estavam quase colados, e um traço levíssimo de melancolia cruzou os seus olhos.

Ele não empurrou como uma pessoa comum faria, mas sim deu um passo largo com as suas longas pernas e, com uma postura extremamente imponente, enfiou-se à força entre Laís e Jorge.

Virando-se ligeiramente, ele usou o ombro para afastar Jorge de forma discreta. Em seguida, baixou o olhar para Laís, com um tom de voz cuja naturalidade chegava a ser sufocante:

— Eu estou indo para lá a negócios, posso te acompanhar no caminho.

— Você...!

Felipe curvou os lábios de forma muito sutil, com um olhar um tanto arrogante voltado para Jorge:

— Jorge, se você insiste em ir para o País A, eu não me importo de deixar você pegar uma carona em um dos assentos que eu comprei.

O tom de Felipe era extremamente confiante, com um ar de quem havia fretado o avião e estava concedendo a Jorge o privilégio de um lugar, pelo qual ele deveria ser eternamente grato.

Tendo dito isso, o seu olhar voltou a recair sobre Laís. Ele sorriu para ela de forma bastante natural, com os olhos transbordando adoração:

— Laís, eu também pedi ao meu cunhado Walter Barros que organizasse toda a sua hospedagem, alimentação e itinerário. Eu arquei com todas as despesas.

— Considere isso como um pedido de desculpas em nome da minha mãe, pelos boatos e ofensas que ela causou da última vez. E então, está do seu agrado?

O ar pareceu congelar naquele momento.

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