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A Segunda Vida da Senhora Laís romance Capítulo 735

Após dois segundos de perplexidade, um sorriso radiante desabrochou instantaneamente no rosto de Laís:

— Nossa, é você? Eu achei que não viria mais...

Jorge não respondeu de imediato.

Ele baixou o olhar para ela, com os olhos tão profundos que pareciam imersos em saudade.

Laís, sentindo-se abrasada por aquele olhar ardente, desviou os olhos por instinto.

Só então Jorge recolheu seu olhar, tirando a pesada mala das mãos dela com extrema naturalidade e colocando-a no chão.

Naqueles dias, ele havia corrido de um lado para o outro para resolver os assuntos de sua família, conseguindo retornar a duras penas antes que Laís viajasse para o exterior.

Naquele instante, observando o rosto corado dela e ouvindo a alegria que escapava involuntariamente de suas palavras, Jorge não conseguiu evitar inclinar-se levemente, aproximando-se um pouco mais:

— Como eu sabia que você ia se mudar para o País A, vim correndo de propósito para servir de carregador.

Dizendo isso, ele ergueu a mala com uma só mão e puxou o ar de forma exagerada, com os olhos cheios de brincadeira:

— Que peso é esse? Escondeu ouro aqui dentro?

Laís, sem saber se ria ou chorava, viu-se obrigada a explicar:

— Não, é uma mala enorme de iguarias que a minha mãe preparou para o meu irmão. Eu disse que tinha de tudo no País A, mas ela insistiu que o que ela faz é diferente, e o resultado foi esse...

Laís encolheu os ombros em um gesto de impotência e, ao erguer a cabeça, seus olhos se encontraram novamente com os de Jorge.

Por um momento, os dois sorriram em uma cumplicidade involuntária.

Nos olhos cheios de riso de Jorge, Laís sentiu uma segurança e um afeto envolventes.

Eles se entreolharam por um longo tempo, com os olhares entrelaçados como fios invisíveis, sem que nenhum dos dois desviasse a atenção.

Até que Astor se aproximou empurrando o carrinho de bagagens e se deparou exatamente com aquela cena.

Ele estancou no lugar, seu rosto enrijecendo-se de súbito.

Passaram-se vários segundos até que ele finalmente reagisse, um traço de autodepreciação cruzando o seu olhar.

Laís nunca o olhara daquele jeito... Naquilo, ele admitia, não podia se comparar a Jorge.

O corredor estava silencioso, preenchido apenas pelo som dos passos compassados dos dois.

Laís lançou-lhe um olhar furtivo, fingindo distração, mas sua respiração falhou involuntariamente por um instante.

Naquele dia, Jorge vestia uma camisa azul-clara com o colarinho levemente aberto, revelando as clavículas pálidas, combinada com uma calça branca casual.

Ele parecia ainda mais sereno como a brisa, extraordinariamente radiante e, ao mesmo tempo, exalava de forma sutil uma atração fatal.

O coração de Laís começou a acelerar de maneira incontrolável.

Num piscar de olhos, já fazia dias que não se viam.

Após conviverem dia e noite durante tanto tempo, aquela ausência repentina de vários dias era realmente algo ao qual ela não estava acostumada.

Durante o dia ainda era suportável, mas, assim que a noite caía, aqueles pensamentos cuidadosamente reprimidos vinham à tona.

Ela não pôde deixar de se questionar se havia sido dura demais com as palavras naquele dia e se tinha ferido o orgulho dele.

Foi exatamente naquelas madrugadas insones que ela finalmente percebeu que Jorge, sem que ela soubesse quando, já havia ocupado um lugar indispensável em seu coração.

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