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A Segunda Vida da Senhora Laís romance Capítulo 738

A respeito dos assuntos da família Linhares mencionados pela sua mãe, ele conhecia alguns detalhes e queria arrumar uma oportunidade para explicar tudo a Laís.

Mas agora, sentados à esquerda e à direita de Laís, havia dois 'segura-velas' daquele tamanho!

Ele havia pago uma fortuna para fretar os lugares do avião, mas no fim das contas apenas facilitara a vida dos outros. Felipe ficou pálido de tanta raiva.

Sem outra opção, Felipe resignou-se a sentar no assento bem em frente ao de Laís.

Mas assim, embora estivesse perto de Laís, ele sequer conseguia ver o seu rosto. Apenas escutava do banco de trás o som constante das cortesias de Jorge.

— Laís, quer um suco de laranja? Comissária, por favor, traga um suco de laranja natural para a senhora Laís.

— Está com frio, Laís? Cubra-se com esse cobertor, para não ficar com as pernas geladas.

— Está com fome? Quer que eu peça para a comissária trazer um pedaço de bolo?

...

O avião não demorou a entrar em altitude de cruzeiro.

A voz atenciosa e preocupada de Jorge vinha do banco de trás a todo momento.

Ele ignorava completamente os olhares fulminantes que Felipe lançava sempre que se erguia um pouco para olhar para trás.

Estava inteiramente focado em tratar Laís da melhor forma possível.

A princípio, a reação de Laís à súbita iniciativa de Jorge foi um tanto artificial.

Mas como Jorge agiu com muita naturalidade durante todo o tempo, ela inexplicavelmente sentiu um traço de culpa.

Antes, no Grupo Vasconcelos, em cada viagem de negócios, ela trabalhava feito uma mula, servindo Felipe a todo momento, preocupando-se com o bem-estar dele em cada pequeno detalhe.

Mas agora era Jorge quem assumia aquela carga com toda a dedicação, tomando o papel que um dia fora o dela.

A diferença era que ela não era Felipe; não era o tipo de mulher que simplesmente achava que merecia toda a bondade alheia de graça.

Quando Jorge lhe estendeu uma mexerica já descascada, ela colocou um gomo na boca e, em seguida, entregou outro na mão de Jorge com naturalidade.

— Pelo visto, você nunca deve ter feito nada parecido pela Laís no passado, e é por isso que acha que estou fazendo cena.

Todas as palavras de Jorge carregavam uma ironia voltada contra Felipe.

Felipe fingiu não entender, retrucando com sarcasmo:

— O amor por uma mulher não se baseia em pequenos favores, mas no que você pode de fato oferecer a ela.

— Já que você gosta tanto de servir, deveria se candidatar a comissário de bordo. Com a sua atitude tão devota, não tenho dúvida de que seria ótimo no cargo.

O olhar de Jorge esfriou de imediato.

Os dois se encararam.

O olhar de Felipe também estava gélido, transparecendo uma raiva prestes a explodir.

A atmosfera em toda a cabine tornou-se tensa num instante, como se estivessem à beira de uma briga.

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