A respeito dos assuntos da família Linhares mencionados pela sua mãe, ele conhecia alguns detalhes e queria arrumar uma oportunidade para explicar tudo a Laís.
Mas agora, sentados à esquerda e à direita de Laís, havia dois 'segura-velas' daquele tamanho!
Ele havia pago uma fortuna para fretar os lugares do avião, mas no fim das contas apenas facilitara a vida dos outros. Felipe ficou pálido de tanta raiva.
Sem outra opção, Felipe resignou-se a sentar no assento bem em frente ao de Laís.
Mas assim, embora estivesse perto de Laís, ele sequer conseguia ver o seu rosto. Apenas escutava do banco de trás o som constante das cortesias de Jorge.
— Laís, quer um suco de laranja? Comissária, por favor, traga um suco de laranja natural para a senhora Laís.
— Está com frio, Laís? Cubra-se com esse cobertor, para não ficar com as pernas geladas.
— Está com fome? Quer que eu peça para a comissária trazer um pedaço de bolo?
...
O avião não demorou a entrar em altitude de cruzeiro.
A voz atenciosa e preocupada de Jorge vinha do banco de trás a todo momento.
Ele ignorava completamente os olhares fulminantes que Felipe lançava sempre que se erguia um pouco para olhar para trás.
Estava inteiramente focado em tratar Laís da melhor forma possível.
A princípio, a reação de Laís à súbita iniciativa de Jorge foi um tanto artificial.
Mas como Jorge agiu com muita naturalidade durante todo o tempo, ela inexplicavelmente sentiu um traço de culpa.
Antes, no Grupo Vasconcelos, em cada viagem de negócios, ela trabalhava feito uma mula, servindo Felipe a todo momento, preocupando-se com o bem-estar dele em cada pequeno detalhe.
Mas agora era Jorge quem assumia aquela carga com toda a dedicação, tomando o papel que um dia fora o dela.
A diferença era que ela não era Felipe; não era o tipo de mulher que simplesmente achava que merecia toda a bondade alheia de graça.
Quando Jorge lhe estendeu uma mexerica já descascada, ela colocou um gomo na boca e, em seguida, entregou outro na mão de Jorge com naturalidade.

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