Ao notar que as coisas estavam indo mal, Astor instintivamente tentou soltar o cinto de segurança, pronto para apartar a briga.
No entanto, um sorriso despontou subitamente no canto da boca de Jorge.
Ele manteve a mesma calma de sempre:
— Eu poderia te dar essa oportunidade de mostrar serviço, mas a Laís muito provavelmente não aceitaria as suas gentilezas.
Após dizer isso, Jorge soltou o cinto de segurança e realmente fez menção de levantar para ceder o seu lugar.
Mas antes mesmo que ele se erguesse, Laís pressionou imediatamente o seu ombro:
— Jorge, fique sentado. Não precisa dar atenção a ele.
— O importante é que eu sei o que você está fazendo. O que ele pensa não importa.
Laís protegeu Jorge por puro instinto, deixando claro em cada palavra que considerava Felipe um completo forasteiro.
O coração de Felipe já havia sido perfurado até virar uma peneira.
Os seus lábios se moveram, mas não emitiu uma só palavra. Retornou silenciosamente ao seu lugar, colocou o cachecol, vestiu os fones de ouvido e fechou os olhos para descansar, tornando-se tão rígido quanto uma estátua.
Ele finalmente compreendeu que, diante do favoritismo absoluto de Laís, qualquer coisa que fizesse ou dissesse pareceria uma enorme piada.
Laís já não o amava mais.
Por que deveria continuar se humilhando repetidamente, insistindo em algo que já sabia ser impossível?
O orgulho e a arrogância despertaram novamente no seu interior e, durante toda a viagem, ele permaneceu em silêncio absoluto.
Quanto a esse silêncio repentino, Laís sequer deu muita importância, não demorando a adormecer.
Às duas horas da tarde no horário de Brasília, o avião pousou na Cidade H, no País A.
Após saírem do aeroporto,
Alguém já os aguardava na saída com uma faixa erguida para recebê-los.
Laís logo reconheceu a caligrafia na faixa; as palavras 'Bem-vinda, Laís' tinham sido escritas à mão pelo seu próprio irmão, usando um pincel tradicional.
Desde criança, o seu irmão mandava muito bem na caligrafia e tinha uma bela escrita com o pincel.
Enquanto observava a paisagem exótica passando velozmente pela janela, o seu campo de visão não conseguia deixar de se voltar para o retrovisor.
Pelo espelho, Laís aparecia reclinada no assento com os olhos fechados descansando, com Jorge sentado ao seu lado. Os dois conversavam em voz baixa e, volta e meia, um sorriso brotava em seus rostos.
Aquela sintonia natural e aquela aura de descontração entre os dois foram como uma chuva de agulhas espetando o coração de Felipe.
Ele inspirou fundo, forçando-se a engolir a amargura e o ciúme que fervilhavam no seu peito.
Felipe soltou uma risada gélida em sua mente.
Ele disse a si mesmo que não precisava mais procurar a própria humilhação.
Já que Laís era tão ingrata, ele não tinha razão nenhuma para continuar se rastejando atrás dela.
Ele enviou imediatamente uma mensagem a Walter Barros, mandando-o cancelar todos os quartos deles.
Afinal, aquele era o hotel de luxo mais cobiçado da Cidade H, impossível de reservar sem ao menos meia quinzena de antecedência.
Já que Laís não lhe dera a mínima consideração.

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