Ele, de fato, havia adivinhado.
Fazia sentido. Exceto por sua lentidão emocional, Felipe Vasconcelos possuía uma perspicácia fora do comum para qualquer outro assunto.
No entanto, Laís Monteiro não tinha a menor intenção de lhe dar explicações, e muito menos se importava com o choque que ele estava sentindo naquele momento.
Ela desviou o olhar calmamente, virou as costas e caminhou em direção aos elevadores.
O seu propósito naquela viagem se resumia a duas coisas: primeiro, receber o prêmio; segundo, encontrar o seu irmão.
E tudo que envolvia Felipe Vasconcelos estava completamente fora dos seus planos.
Felipe Vasconcelos observou Laís partir sem dizer uma única palavra, e a tempestade em seu interior atingiu um nível incalculável.
O sangue fervia em suas veias; pela primeira vez na vida, ele sentiu como se o céu estivesse prestes a desabar sobre a sua cabeça.
— Como isso é possível? Como isso pode ser possível?
Se o "Diretor Xavier" fosse realmente o irmão biológico de Laís.
Isso, sem dúvida, equivaleria a entregar com as próprias mãos o Grupo Vasconcelos, o qual ele e seu pai administraram por anos, de bandeja para Laís e o irmão dela.
Atualmente, a dependência financeira do Grupo Vasconcelos em relação à AM Capital havia alcançado níveis sem precedentes.
Para firmar essa parceria, eles até mesmo forneceram com total sinceridade todos os documentos do Grupo Vasconcelos.
Além disso, Laís era uma ex-funcionária de longa data do Grupo Vasconcelos, que outrora o havia auxiliado a lidar com muitos assuntos — tanto os lícitos quanto os obscuros —, e agora havia sido nomeada pela AM Capital como diretora executiva.
O que significava que, de agora em diante, a liderança do Grupo Vasconcelos não estaria mais sob o seu controle, mas sim nas mãos de Laís.
Inicialmente, ele contava com a injeção de capital da AM Capital para arriscar tudo e levar o Grupo Vasconcelos de volta ao topo, retornando à posição de superioridade que fazia Laís olhá-lo com admiração.
Dessa forma, Laís obedientemente traria a filha de volta para ele e voltaria a ser aquela Senhora Vasconcelos compreensiva do passado, que nunca lhe causava problemas.
Mas agora, se a sua suspeita fosse verdadeira...
Então, todos os seus planos seriam revertidos, pois Laís seria a pessoa a deter todo o poder e controle.
Felipe Vasconcelos não pôde evitar que o suor frio lhe escorresse pela pele; e foi exatamente nesse momento que a voz nítida e firme de Jorge Andrade soou em seus ouvidos:
Além disso, até aquele momento, a AM Capital detinha apenas 30% das ações do Grupo Vasconcelos, o que ainda não conferia o controle acionário absoluto.
E o que Bill almejava era o controle total e incontestável de todo o Grupo Vasconcelos.
O propósito de Bill em agir dessa maneira não era simplesmente ajudar a irmã a se vingar do Grupo Vasconcelos, mas também envolvia os velhos incidentes de anos atrás relacionados à família Linhares e à família Xavier.
Até que alcançassem o objetivo final de engolir o Grupo Vasconcelos, Jorge achava mais sensato esconder essa verdade de Felipe para evitar um alarme precipitado.
Felipe Vasconcelos fixou o olhar nos olhos de Jorge. A expressão sincera dele não parecia a de quem estava mentindo.
Contudo, havia uma coincidência gritante naquilo. Por que ele teria justamente o sobrenome Xavier? Felipe sentiu que precisaria verificar aquilo com calma, mas pelo menos a resposta de Jorge trouxe uma leve sensação de paz ao seu íntimo.
— Espero que você não esteja mentindo para mim.
Felipe Vasconcelos exibiu um semblante sombrio e desviou o olhar do rosto de Jorge. — Eu continuarei investigando isso de qualquer maneira.
— Diga à Laís por mim que, se eu descobrir que tudo isso é uma armadilha dela, eu... não deixarei barato.

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