— Cuidado!
Jorge deu um grito abafado e estendeu as mãos apressadamente, segurando a cintura fina de Laís por puro instinto.
Laís ergueu os olhos e cruzou com o olhar profundo e preocupado de Jorge.
Num reflexo, tentou puxar o salto, mas a peça estava presa perfeitamente na fenda. Ao fazer força, o sapato ficou travado, mas seu pé escapou completamente dele.
— Ai!
Perdendo o equilíbrio, Laís despencou com tudo nos braços de Jorge.
Novamente ela pôde sentir o leve e agradável aroma de pinho que emanava dele, semelhante às notas de fundo de um perfume ou a algum sachê de armário, que trazia uma paz inexplicável.
Nesse instante, o elevador começou a emitir bipes de alarme.
Laís olhou para o próprio pé descalço e para o sapato imóvel, preso na fenda, e seu rosto enrubesceu de vergonha.
Ela não conseguiu conter o aborrecimento e reclamou:
— Que saco! Se eu soubesse, não teria colocado salto alto nem morta. Esse sapato só pode ter algo contra mim.
Jorge achou graça do tom irritado dela, e sua voz soou grave e suave:
— Apoie-se na parede e firme os pés primeiro.
Laís obedeceu à recomendação, soltou-se apressadamente dos braços de Jorge e procurou apoio na parede de forma instintiva.
Imediatamente, Jorge se abaixou. Com seus dedos longos, segurou o corpo do sapato e balançou-o delicadamente de um lado para o outro até libertá-lo da fresta.
Laís curvou-se, no ímpeto de calçá-lo sozinha.
Mas, para sua surpresa, Jorge de repente a segurou pelo tornozelo, calçando cuidadosamente o sapato de salto em seu pé claro e liso.
Laís era alta, o que lhe conferia dedos das mãos e dos pés excepcionalmente longos.
Sua pele era muito branca, seus dedos bem delineados e suas unhas redondas e cristalinas; mesmo sem nenhum esmalte, lembravam porcelana lisa e impecável, de uma beleza cativante.
Foi a primeira vez que Jorge observou tão de perto os pés de uma mulher.

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