Jorge levou Laís para fora do elevador; os dois caminharam por uma pequena distância e foram comer em um Restaurante Típico da Cidade H bastante autêntico.
De fato, Jorge a conhecia bem.
Toda vez que viajava para uma nova cidade, Laís adorava fazer questão de visitar o restaurante de comida mais característica da região.
O Restaurante Giratório podia ser requintado, mas, aos olhos dela, lugares como aquele carregavam de verdade a alma da cidade.
Já que naquela noite havia lucrado uma bolada inesperada, Laís pediu de uma só vez todos os pratos recomendados do menu.
Em seguida, ela tirou fotos de vários ângulos e as mandou para Carla Torres, quase fazendo com que a pequena gulosa chorasse de vontade.
E então se deliciaram com um jantar farto e extremamente saboroso.
Ao retornarem ao hotel, já passava das nove da noite no horário local.
No trajeto do saguão até o elevador, Laís debateu intimamente a questão e, sem conseguir se conter, perguntou:
— Jorge, por que sinto que você está meio estranho ultimamente?
Ela precisava entender por que Jorge começara de súbito com tantas demonstrações de afeto.
Afinal, eles teriam um convívio contínuo no futuro, e aquele avanço ambíguo não parecia muito favorável à manutenção do relacionamento dos dois.
Jorge seguiu caminhando sem reduzir o passo.
— Estranho? Em que sentido? — ele respondeu com tal serenidade que Laís sequer soube por onde continuar.
Ela chegou a pensar se não estaria criando coisas em sua cabeça.
Nesse momento, os dois entraram mais uma vez no elevador.
Encontrando o olhar confuso dela, Jorge apertou levemente os lábios finos:
— Você quer dizer que estou demonstrando interesse em você com frequência, não é? Exatamente, estou tentando te conquistar.
A franqueza nas palavras de Jorge deixou Laís espantada.
Dominada pela postura defensiva habitual, estava prestes a soltar um "Não" instintivo, mas, antes que pronunciasse a palavra, Jorge ergueu o dedo indicador e calou seus lábios.
— Eu sei que, ao ouvir isso, você com certeza vai ficar chocada e recusar de forma dura.
— Mas a verdade é que não precisa sentir nenhuma pressão, Laís. Você é uma mulher solteira e merece que qualquer homem solteiro a corteje.
— Somos amigos de infância, conhecemos tudo um sobre o outro; meus pais a aprovam, e a sua mãe e o seu irmão também me aprovam. Como não sentimos repulsa um pelo outro, por que não tentar?
— Se você estiver disposta, mostrarei minha maior dedicação.
Os olhos ardentes de Jorge estavam fixos nela, o olhar translúcido transbordando uma ternura e expectativa absolutas.
Laís sentiu o coração ser abalroado de súbito por alguma coisa; uma sensação doce, dormente, o fez palpitar incessantemente.
Pega completamente desprevenida, ela sequer tinha ideia de como responder àquelas palavras.
— Jorge, eu...
Mas a frase não foi concluída.
Justo naquele instante, o elevador soou um "ding" e as portas se abriram.
Felipe Vasconcelos e Sofia Ramos aguardavam em frente ao elevador.
No segundo em que as portas se abriram, o ar pareceu congelar.

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