Ele aguardava por ela no quarto justamente de propósito.
O que desejava era ver a irmã secretamente, mas sem que, por ora, mais ninguém soubesse.
Atualmente, ele estava transferindo seus fundos de forma progressiva para o Brasil, mudando seu domínio empresarial aos poucos para o país.
O investimento que fizera no Grupo Vasconcelos e o gasto monstruoso com Jorge para construir o Grupo Rio Grande, ambas as ações faziam parte desse seu planejamento de mudança estratégica.
Ninguém sabia mais do que ele que um plano só é exitoso quando mantido em segredo.
Portanto, por enquanto, ele não pretendia deixar nenhum estranho descobrir que Laís e ele eram irmãos de sangue.
Além do mais, ele agora possuía uma grande influência. Decidira retornar ao país não apenas porque passara tantos anos sentindo falta da terra natal e desejava restaurar a glória que a família Xavier e a família Linhares um dia ostentaram em Marbella...
Havia também outro propósito, que era desenterrar a verdadeira razão por trás do aniquilamento bizarro da família de seu avô materno no passado.
Ele escutara sobre isso por acidente certa vez, ao ouvir as duras brigas entre o seu pai — sob o efeito de álcool — e a sua prima distante.
Como sendo um dos herdeiros restantes da família Linhares, ele com certeza buscaria a verdade, limpando o nome e os pesares dos familiares que se foram.
Vendo que o rosto de Severino adquirira uma densa seriedade, acompanhado de um longo silêncio,
A curiosidade de Laís despertou na mesma hora.
Porém, bem quando se preparava para extrair até os mínimos detalhes do irmão, a campainha da porta soou repentinamente.
— Laís, abra. Eu trouxe frutas para você.
Jorge, notando que a porta não abria, enviou a Laís uma mensagem de voz.
Severino se levantou:
— Não deixe aquele garoto, Jorge, saber que estou aqui. Vou para o outro quarto me esconder por um tempo.
Dito isso, deslocou-se rumo ao outro quarto.
Caminhar com as pernas mecânicas, obviamente, era difícil de se adaptar.
Laís assistia aos seus tropeços ligeiros, e ao ver seu esforço gigantesco para aparentar firmeza, o coração apertou. O instinto natural seria avançar para ajudá-lo, mas temia que tal ação ferisse o orgulho do irmão.
Com os olhos colados nas costas dele, seguiu-o até entrar no outro quarto.
Laís então caminhou à porta e abriu. Contudo, ao abri-la, a cena que se encontrava diante dela a pegou inteiramente de surpresa.
Na porta, de pé, postava-se um homem perfeitamente maravilhoso e de aparência esbelta, medindo mais de 1,85m.
Sustentando com as mãos uma elegante bandeja de porcelana branca, a qual continha diversas cerejas de aparência impecável.
A cabeça de Laís latejava um imenso zumbido, a mente por completo abarrotada pela silhueta do abdômen que pescara num vislumbre rápido.
Ela engoliu em seco, com a voz ligeiramente áspera:
— Veja bem, eu não estou sedenta nem nada do tipo, não precisa...
Assim que a fala absurda escapou da boca, Laís se apavorou mais e mais; e rápido tratou de explicar:
— O que eu quis dizer é que não tenho sede nem fome.
Daquele jeito, a explicação não soou muito melhor. Afinal, qualquer coisa daquelas renderia mal-entendidos.
Laís tocou a testa e soltou um suspiro envergonhado; e, repentinamente, seu rosto acendeu-se, escaldante e vermelho.
O canto dos lábios de Jorge curvou-se, tecendo um sorriso bastante formoso:
— Sei que não tem sede, nem fome. Mas essas cerejas, fui eu que as lavei exclusivamente para você; deixe de me dar o mínimo de consideração.
Ele falava com um tom leve e simplista, contudo, já virara o corpo e forçara caminho pela entrada, fechando a porta logo em seguida com a outra mão.
No momento em que repousou a bandeja na sapateira, ele se virou de imediato; contudo, de um jeito inteiramente imprevisto, o fecho do seu roupão soltou-se logo neste instante e todo o tecido desabou escancarado.
O quadro colossal e altamente estonteante bateu brutalmente contra os olhos de Laís, que se achava totalmente desavisada...

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