No início, Laís sentiu-se um pouco constrangida ao ver aquilo.
Mas, neste momento, seu coração de repente se acalmou, pois ela subitamente percebeu um detalhe: Jorge parecia estar fazendo aquilo de propósito.
De propósito, vindo entregar cerejas de roupão, logo após o banho.
De propósito, com o cinto frouxo, criando uma exposição intencional para atrair a atenção dela.
Ele... estava tentando seduzi-la.
Ao perceber isso, o olhar de Laís permaneceu naquela visão de grande impacto por menos de um segundo.
E, na velocidade máxima, cravou-se com precisão no rosto de Jorge.
Ela cruzou os braços, ergueu uma sobrancelha e, com um sorriso contido, disse:
— Jorge, parece que a qualidade desse seu roupão não é das melhores. Como é que ele se abre tão fácil?
— No entanto, eu saio ganhando. Essa bela vista diante de mim é, sem dúvida, um colírio para os olhos.
Após dizer isso, Laís deu um passo à frente e, de repente, estendeu a mão.
Jorge, que aguardava a reação dela, ao vê-la avançar de repente, tornou-se o constrangido da situação, recuando instintivamente meio passo.
Seu pomo de adão moveu-se quase imperceptivelmente, e a postura antes confiante e desenvolta apresentou, em um instante, uma leve rachadura.
Laís observou aquele raro momento de nervosismo dele, e o sorriso em seus olhos aprofundou-se.
Tomando as rédeas da situação, ela avançou mais um passo com ousadia, apontando os dedos diretamente para a gola aberta do roupão dele.
A respiração de Jorge falhou no mesmo instante, e sua voz soou áspera:
— Laís, você...
Desta vez, era ele quem se sentia desconfortável, quase estendendo a mão por instinto para fechar a borda do roupão.
Ele não esperava que Laís fosse repentinamente tão ousada, e, num instante, as pontas de suas orelhas ficaram rubras.
— Não se mova, deixe comigo.
O tom de Laís era tranquilo. Após deter o movimento dele com a mão, seus dedos agarraram com precisão as duas pontas do cinto, amarrando-as rapidamente e fazendo um laço perfeito.
— Jorge, sua técnica de sedução ainda precisa melhorar.
— Olhe só para você, por que ficou tão vermelho?
Jorge jamais imaginaria que Severino apareceria de forma tão furtiva no quarto de Laís.
Ao recordar a cena carregada de tensão sexual, mas que perdera toda a força no final, Jorge sentiu o corpo inteiro travar, incapaz de se mover.
Era uma verdadeira morte social.
Levou bons segundos até que Jorge finalmente reagisse, com sua figura alta balançando levemente:
— Espera aí, Severino, você veio ver a Laís e por que não me avisou?
Severino apertou os lábios, e em seu rosto pálido e doentio surgiu um leve sorriso:
— Eu vim ver a minha própria irmã, por que teria que avisar você? Você não é nada da minha irmã.
Aquela provocação deixou Jorge ainda mais sem graça.
Laís não conseguiu mais prender o riso e, instintivamente, tentou salvar a pele de Jorge:
— Irmão, também não diga isso. O Jorge é meu melhor parceiro de negócios e tem me ajudado muito ultimamente.
Após dizer isso, Laís pegou a tigela de cerejas na mesa de centro, aproximou-se, pegou uma e entregou com naturalidade a Severino.

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