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A Segunda Vida da Senhora Laís romance Capítulo 795

A mente de Laís estava um caos, com inúmeras perguntas rondando seus pensamentos.

Ela não conseguia entender por que Xavier havia aparecido ali, e menos ainda o motivo de ele estar fazendo algo tão perverso contra ela.

Pelo que ele dissera antes, seu plano original era sedá-la, abusar dela sem que ninguém desconfiasse, e depois culpar os mendigos locais enquanto ela estivesse inconsciente.

Desde o início, ele nunca tivera a intenção de permitir que ela o reconhecesse.

Porém, no momento crucial, Laís acabou dizendo o nome dele.

Já que havia sido descoberto, Xavier simplesmente parou de fingir.

Ele arrancou a máscara do rosto, soltou um assobio zombeteiro e a olhou com uma satisfação doentia nos olhos.

— Laís, não me culpe por ser cruel. Se quer culpar alguém, culpe a si mesma por ser tão teimosa.

— Quem realmente queria arruinar a sua honra era o Sandro. Ele entrou em contato com aquele tal de Charles e planejou usar um grupo de mendigos aqui no País A para arrastar você para a lama de uma vez por todas.

A voz de Xavier carregava uma ternura horripilante: — Mas eu não pude suportar a ideia. Como eu deixaria a mulher que amei em segredo por tantos anos ser tocada por aquele lixo? Por isso, decidi mudar os planos, para eu mesmo 'cuidar' de você.

Ele fez uma pausa, seu olhar gradualmente se tornando sombrio e gélido:

— Você não deveria estar tão acordada. Se tivesse simplesmente apagado, pelo menos continuaria viva. Mas agora... só lhe resta rezar por um milagre.

Ele sorriu, e a maldade transpareceu em seu belo rosto, fazendo-o parecer um demônio em pele humana.

Laís estremeceu incontrolavelmente da cabeça aos pés.

Foi só naquele instante que ela finalmente compreendeu o porquê de sempre sentir uma repulsa física tão grande pelas investidas insistentes dele no passado.

Aquele homem carregava a perversidade e a loucura em sua essência, exatamente como agora. Era nojento.

Com as mãos trêmulas, ele discou o número de Laís, mas não importava quantas vezes tentasse, a única coisa que ouvia era a voz fria da operadora dizendo que o aparelho estava desligado.

— Laís! Laís!

Ele e seus homens reviraram tudo pelo caminho. Jorge agarrava os colarinhos das pessoas que passavam, gritando em língua estrangeira, perguntando se haviam visto uma bela mulher asiática.

No entanto, a maioria dos mendigos não estava lúcida; uns davam risadas bobas, outros falavam frases sem sentido, não fornecendo absolutamente nenhuma pista útil.

Justo quando Jorge estava prestes a ser consumido pelo desespero, percebeu de relance, perto de uma lixeira no canto de um muro, um menino de sete ou oito anos saindo de lá. O garoto era pele e osso, com os cabelos emaranhados, assemelhando-se a um gato de rua desconfiado.

Como se agarrasse à sua última esperança, Jorge correu até ele, agachou-se e descreveu a aparência e as roupas de Laís rapidamente, na língua local, perguntando se ele a tinha visto.

O menino olhou para ele e assentiu. Levantou sua mãozinha suja, apontou na direção de um píer que não ficava muito longe dali e, em seguida, fez, com bastante naturalidade, um gesto pedindo dinheiro.

Sem pensar duas vezes, Jorge esvaziou a carteira e enfiou todo o dinheiro nas mãos do menino antes de disparar como uma flecha em direção ao píer.

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