Conforme as suas perspectivas:
Laís e Jorge seriam levados até a Vila do Vício pelos amigos dele. Lá, ela seria violada, pisoteada e completamente destruída por um bando de mendigos.
A culpa de tudo ter dado errado foi apenas dele, que perdeu o bom senso ao tentar se aproveitar do caos para consumar o ato com Laís... E agora, sua identidade fora revelada.
Ele sabia, melhor que ninguém, que Laís precisava morrer.
Caso contrário, todos os seus disfarces em Marbella e sua relação com Sandro seriam completamente rasgados e expostos por ela.
Apesar de ter esse cenário claro em mente, ao presenciar o brilho das lágrimas nos olhos dela, ele sucumbiu, mais uma vez, a uma emoção que há muito esquecera. A pena.
Nunca tivera, em momento algum, a real determinação de subtrair-lhe a vida, tudo aquilo que o levou àquele extremo se devia à pressão para honrar as diretrizes de Sandro.
Admirando com adoração febril a face embebida em lágrimas de Laís, cujo fascínio ainda o enlouquecia mais e mais, a curva que esboçou em seus lábios se transfigurou numa expressão assustadora.
— Laís, você não quer morrer, não é?
Laís balançou a cabeça sem parar. Mas logo as bordas periféricas da sua visão flagraram, perto dali, um vulto corpulento, aproximando-se daquela beirada com movimentos silenciosos.
Era Jorge!
O coração desolado de Laís reacendeu num salto descompassado de pulsação.
No milissegundo de troca de olhares entre os dois, Jorge fixou sua postura num lugar cego para o algoz dela e indicou pelo olhar, de forma aflita, que ela não fizesse barulho ou expusesse as suas intenções.
— Honestamente, Laís, eu também não aguentaria a ideia de te matar.
— Que tal a gente entrar em um acordo? Você vem comigo. E então, eu bato um pouquinho só na sua cabeça, mas o suficiente para eu transformá-la na mais bela boneca do meu acervo, para estar de forma segura sempre ao meu lado. Sim?
A mão de Xavier ergueu-se, repousando por sobre a cabeça dela.
Assim que essas palavras saíram de sua boca, um brilho impiedoso de determinação cortou seus olhos. No instante em que ergueu a mão para golpear com força a cabeça de Laís...
Uma sombra disparou da escuridão como uma flecha recém-lançada de um arco, avançando diretamente sobre ele.

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