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A Segunda Vida da Senhora Laís romance Capítulo 798

Conforme as suas perspectivas:

Laís e Jorge seriam levados até a Vila do Vício pelos amigos dele. Lá, ela seria violada, pisoteada e completamente destruída por um bando de mendigos.

A culpa de tudo ter dado errado foi apenas dele, que perdeu o bom senso ao tentar se aproveitar do caos para consumar o ato com Laís... E agora, sua identidade fora revelada.

Ele sabia, melhor que ninguém, que Laís precisava morrer.

Caso contrário, todos os seus disfarces em Marbella e sua relação com Sandro seriam completamente rasgados e expostos por ela.

Apesar de ter esse cenário claro em mente, ao presenciar o brilho das lágrimas nos olhos dela, ele sucumbiu, mais uma vez, a uma emoção que há muito esquecera. A pena.

Nunca tivera, em momento algum, a real determinação de subtrair-lhe a vida, tudo aquilo que o levou àquele extremo se devia à pressão para honrar as diretrizes de Sandro.

Admirando com adoração febril a face embebida em lágrimas de Laís, cujo fascínio ainda o enlouquecia mais e mais, a curva que esboçou em seus lábios se transfigurou numa expressão assustadora.

— Laís, você não quer morrer, não é?

Laís balançou a cabeça sem parar. Mas logo as bordas periféricas da sua visão flagraram, perto dali, um vulto corpulento, aproximando-se daquela beirada com movimentos silenciosos.

Era Jorge!

O coração desolado de Laís reacendeu num salto descompassado de pulsação.

No milissegundo de troca de olhares entre os dois, Jorge fixou sua postura num lugar cego para o algoz dela e indicou pelo olhar, de forma aflita, que ela não fizesse barulho ou expusesse as suas intenções.

— Honestamente, Laís, eu também não aguentaria a ideia de te matar.

— Que tal a gente entrar em um acordo? Você vem comigo. E então, eu bato um pouquinho só na sua cabeça, mas o suficiente para eu transformá-la na mais bela boneca do meu acervo, para estar de forma segura sempre ao meu lado. Sim?

A mão de Xavier ergueu-se, repousando por sobre a cabeça dela.

Assim que essas palavras saíram de sua boca, um brilho impiedoso de determinação cortou seus olhos. No instante em que ergueu a mão para golpear com força a cabeça de Laís...

Uma sombra disparou da escuridão como uma flecha recém-lançada de um arco, avançando diretamente sobre ele.

Suas mãos e pés estavam amarrados, e ela não tinha nenhum ponto de apoio. Naquele momento, o vento do mar na barragem estava muito forte, e ela claramente não conseguia se manter sentada, seu corpo já se inclinando para trás.

Com a boca tampada por fita adesiva, ela não conseguia emitir som algum.

Para manter o equilíbrio, a única coisa que podia fazer era cravar as pontas dos dedos nas frestas ásperas do concreto na beira da barragem.

Suas unhas já haviam rachado e o sangue escorria por entre seus dedos, arrastando marcas vermelhas assustadoras pelo cimento acinzentado.

Metade do seu corpo já estava suspensa no ar. Sob seus pés rugia o mar, e bastaria que seus dedos afrouxassem um centímetro para que ela fosse engolida por aquela torrente violenta.

— Laís!

A voz de Jorge estava irreconhecível de tão rouca, como se tivesse sido espremida do fundo de sua garganta.

Ele não se importou mais em confrontar Xavier, praticamente se jogando, batendo os joelhos com força no chão de concreto, inclinando todo o corpo para fora da beira da barragem. E no exato segundo em que Laís estava prestes a despencar no abismo, ele a agarrou em um solavanco violento!

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