Vendo com os próprios olhos Laís quase despencar.
Jorge ficou tão assustado que sua alma quase saiu do corpo; seus dedos a agarraram como pinças de ferro, com uma força tão grande que quase esmagava os ossos dela.
Laís também tremia de pavor, erguendo o rosto com rigidez.
Ela estava tonta e com a visão turva, sentindo dores excruciantes por todo o corpo. Parecia restar-lhe apenas um último suspiro, a mente em completo torpor.
O homem começou a procurar um jeito de soltar as cordas que a amarravam.
Enquanto tentava puxar e afrouxar os nós, temia acabar machucando-a.
Sua respiração ofegante batia no rosto dela até que, finalmente, ela sentiu o corpo relaxar, as cordas se soltando rapidamente.
Mãos e pernas foram libertadas num piscar de olhos.
Ainda em choque e completamente sem forças, Laís acabou desabando contra o peito de Jorge.
Ao erguer a cabeça, ela pôde, enfim, enxergar com clareza o rosto de Jorge.
Aquele rosto estava marcado pelo esgotamento, com um corte na têmpora onde sangue e suor se misturavam.
Naqueles olhos outrora tão serenos, agora havia apenas uma loucura e um alívio quase dilacerantes, algo que ela jamais vira antes.
— Jorge...
Laís abraçou Jorge com força. Naquele instante, ela só conseguia sentir uma coisa: como era bom ainda poder vê-lo com vida.
— Laís, não tenha medo, eu estou aqui.
— Venha, vou tirar você daqui agora mesmo, nós vamos embora.
Jorge cerrou os dentes, as veias saltando nos braços, e puxou Laís do chão com firmeza.
Seus movimentos eram cuidadosos, como se manuseasse uma porcelana prestes a se despedaçar a qualquer momento, mas sua força era inabalável.
Xavier Ribeiro, que havia sido empurrado por Jorge, bateu a cabeça com violência contra o dique. Após um breve momento de inconsciência, despertou rapidamente.
Ao ver que Jorge já soltara as cordas de Laís e estava prestes a levá-la dali.
Um brilho distorcido de ciúme e pavor cruzou os olhos de Xavier.
Ainda em pânico, Jorge assistiu, impotente, ao corpo de Laís deslizar novamente em direção à beirada do dique.
Naquele instante, ele sentiu a alma sair do corpo, até a respiração parou por completo.
Num reflexo quase instintivo, ele se lançou à frente, os joelhos chocando-se mais uma vez contra o cimento áspero.
No exato momento em que Laís despencou, Jorge esticou o braço direito de supetão, agarrando com todas as forças o pulso dela!
A enorme força da gravidade puxou Laís violentamente para baixo.
Com os pés balançando no vazio, Laís olhou para baixo e viu a correnteza turbulenta; seu coração quase parou de bater!
O braço de Jorge foi esticado até as veias saltarem, os ossos estalando sob a carga insuportável.
Cerrando os dentes, ele suportou o peso do corpo dela caindo puramente na força do braço, mantendo-a suspensa com firmeza no ar.
A vida e a morte por um fio; bastava que ele soltasse a mão ou perdesse as forças, e ela seria despedaçada.
Naquele limiar entre a vida e a morte, Laís ergueu a cabeça com dificuldade, olhando para o homem acima dela, com o rosto contorcido de esforço e os olhos injetados de sangue:

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