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A Segunda Vida da Senhora Laís romance Capítulo 80

Laís fechou os olhos, um traço rápido de dor e desamparo cruzando o rosto:

— Ter a Aline é tudo o que eu preciso para esta vida. Não haverá homem algum que valha a pena eu passar por tudo isso de novo.

A conversa subitamente se tornou sombria e dolorosa, e haviam palavras entaladas no fundo do coração de Laís, mergulhadas no mais sepulcral dos silêncios, incapazes de ascender à luz falante.

Dizem que, durante o parto e o resguardo, o carinho do marido é o melhor remédio para aliviar a dor da mulher.

É a fase mais dolorosa, torturante e insuportável na vida de uma mulher, e o momento em que ela mais precisa de amparo.

Porém, Laís não tivera nada disso, ela havia suportado absolutamente tudo sozinha.

Independentemente de qualquer coisa, ela jamais perdoaria Felipe Vasconcelos em sua vida.

Carla ouvia aquilo boquiaberta. A gerente da loja, que ajudava Laís a trocar de roupa, também suspirou em compaixão:

— A maternidade é exatamente assim. Parto normal destrói a pelve, cesariana rasga o abdome. A dor da primeira ida ao banheiro após o parto é o suficiente para fazer a pessoa duvidar da própria existência.

Carla cobriu a boca, chocada:

— Meu Deus, com vocês falando assim, eu não tenho coragem de ter filhos, isso soa um pesadelo!

A gerente não pôde evitar uma brincadeira bem-humorada:

— Por isso dizem que o amor de um homem antes do filho nascer não significa nada. O amor só é verdadeiro quando, após o parto, ele testemunha todos os fluidos, vê que o seu corpo perdeu a forma, e continua a amá-la e cuidá-la de verdade.

O assunto atraiu várias outras clientes e vendedoras na loja, que se juntaram à conversa e começaram a debater.

Uma cliente começou a se gabar da dedicação do marido:

— Meu marido foi exatamente assim! Ele me segurava sempre que eu ia ao banheiro, limpou as minhas secreções, comeu toda a sobra das minhas refeições no resguardo, massageou as minhas pernas e até ajudou a espremer o leite...

Outra cliente seguiu o mesmo caminho:

— É verdade, o meu marido também é maravilhoso. Não precisei perder uma única noite de sono no resguardo, ele levantava de madrugada para dar mamadeira. Assim que o bebê chorava, ele pegava no colo, só para eu descansar bem.

— A babá fui eu mesma quem contratei, e as roupas estou comprando com o meu próprio dinheiro.

— Se eu tenho a capacidade de ter a criança, o poder de contratar alguém para cuidar dela e o dinheiro para garantir o meu próprio prazer, para que eu precisaria de um marido? Apenas para criar aborrecimentos na minha vida?

A mulher ficou engasgada com a resposta. Tentou pensar em uma réplica, mas não encontrou uma única palavra.

Laís varreu a mulher com um olhar raso:

— Se o seu marido é bom, então você pode viver apenas de amor e água fresca. Mas, no meu caso, um marido não é diferente de estar morto. Depender de mim mesma não é tão ruim assim. Afinal, por que a felicidade precisa ser dada por um homem? Eu mesma me concedo as minhas alegrias, e isso também é excelente, não acha?

Carla pensava que Laís ficaria irritada com as conversinhas paralelas. Ela não esperava que sua amiga já tivesse navegado muito além daquelas águas rasas, desferindo uma retaliação certeira contra a mulher fofoqueira num piscar de olhos.

Incapaz de se conter, Carla ergueu o polegar para Laís em aprovação. Quando estava prestes a abrir a boca, uma voz agradável e profunda veio subitamente de trás delas:

— Muito bem dito. Uma mulher capaz de viver por si mesma, sem depender de homens, é aquela que mais merece ser admirada e respeitada.

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