Em uma loja de roupas de um grande shopping em Marbella.
Após o banho, a pequena Aline dormia confortavelmente em seu carrinho, empurrada por Dona Zélia.
Carla acompanhava Laís, que estava provando roupas novas.
Após dar à luz, seu corpo ainda não havia retornado totalmente à forma anterior. Suas roupas antigas haviam ficado apertadas e fora de moda, então ela planejava comprar várias peças de uma só vez para celebrar essa nova fase de sua vida.
Ao ver que Laís finalmente estava disposta a se arrumar com dedicação, Carla ficou radiante. Ela percorria a loja de um lado para o outro e, sempre que encontrava uma peça que combinasse com a amiga, trazia-a imediatamente para que provasse.
Sem perceber, Laís acabou comprando uma montanha de roupas.
Ela passava o cartão de crédito com firmeza e satisfação, sem se importar minimamente com o saldo restante.
O dinheiro que seu "parente" lhe dera estava todo guardado para Aline, ela não havia tocado em um centavo.
Ao longo dos últimos anos, o que ela mesma havia juntado com trabalhos independentes já somava uma quantia considerável.
Quanto ao cartão que Felipe lhe dera, fora bloqueado por ele após um único dia de uso. Diante disso, ela apenas sorriu, pois já esperava por essa atitude.
Não lhe fazia diferença. Faltavam-lhe muitas coisas agora, mas dinheiro definitivamente não era uma delas.
Carla a acompanhava nas compras de bom grado, elogiando-a de todas as formas possíveis a cada instante:
— Laís, eu sinto que, depois de ter o bebê, você ficou muito mais suave. Você está ainda mais bonita agora do que antes.
— Você deveria deixar o cabelo crescer um pouquinho, parar com esse corte de menino. Um corte médio, na altura da clavícula, ficaria perfeito para o formato do seu rosto.
— O seu corpo está na medida certa agora. Antes você era magra demais, ter um pouco mais de curvas deixa você com uma aparência muito melhor.
Laís sorriu, estreitando os olhos. Desde que havia deixado o emprego, seu estado de espírito melhorara consideravelmente.
Após interromper a amamentação, finalmente não precisava mais lidar com o desconforto dos seios doloridos e cheios de leite a todo momento, e pôde desfrutar de várias noites de sono profundo e reparador.
Astor conseguira, sabe-se lá de onde, uma enorme quantidade de suplementos valiosos, muito mais raros e preciosos do que a raiz de ginseng que Felipe havia levado.
Dona Zélia havia preparado apenas uma vez uma canja especial com ervas e, após tomá-la, Laís sentiu um calor reconfortante espalhar-se por todo o corpo, recuperando suas energias quase instantaneamente.
Com pernas longas e torneadas, as costas retas, postura elegante e uma aparência radiante... Morar em Colinas do Paraíso por um período tão curto já a havia transformado por completo.
— Carla, é muito difícil para uma mulher ter um filho. Desde o parto até agora, você não faz ideia de quanto eu sofri.
— Peito empedrado, mastite, hemorroidas, urticária, infecção urinária, refluxo, incontinência, queda de cabelo... Eu tive de tudo. Você não imagina o quanto é constrangedor ter escapes de urina.
Laís conversava animadamente com Carla enquanto provava as roupas novas.
Aquela era a sua primeira ida às compras desde o nascimento da filha. Havia muito tempo que não saboreava aquela sensação de alívio e leveza, o que a deixou consideravelmente mais falante do que o habitual.
— Antes, quando a situação estava pior, eu não tinha coragem nem de espirrar, porque era um desastre. Carla, dar à luz é algo que realmente arranca toda a dignidade de uma mulher.
Laís trocou de vestido ali mesmo, na frente de Carla, e continuou a falar enquanto se admirava no espelho:
— Desde o momento em que você engravida, passa o tempo todo tirando a roupa e deitando em macas para exames, e isso não é nem o começo. Quando você deita naquela mesa de parto...
— Você fica literalmente como um porco no abatedouro. Toda a sua honra e dignidade, naquele momento, simplesmente desaparecem — suspirou Laís com uma ponta de melancolia.

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