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A Segunda Vida da Senhora Laís romance Capítulo 810

Fabiana e Catarina, paradas ao lado, observavam as mulheres se empolgarem cada vez mais, completamente levadas pela presunção. As duas trocaram um olhar silencioso, e um traço de resignação idêntico cruzou seus olhos.

Fabiana não pôde deixar de avisá-las:

— Mãe, será que vocês poderiam falar um pouco mais baixo?

Uma expressão de tristeza passou pelo rosto de Fabiana: — Laís perdeu a vida. Isso por acaso é motivo de alegria? Vocês não acham que agir assim...

Fabiana não conseguiu terminar a frase.

Porque, naquele momento, as outras olhavam para ela como se ela fosse uma alienígena que não se encaixava no grupo.

Foi Catarina quem puxou a manga dela, sinalizando para que não dissesse mais nada.

Melissa, de braços cruzados, não conseguiu resistir a lançar uma zombaria:

— Olha só, pelo jeito você ainda sente pena da Laís.

— Vou te dizer uma coisa, depois de tudo, a Laís cavou a própria cova. Os céus acharam que ela estava arrogante demais e decidiram levar a vida dela de propósito!

— A propósito, você não estava falando esses dias que queria adotar uma criança? Olha que oportunidade perfeita! A filha da Laís agora, com certeza, não tem ninguém para cuidar dela, e a mãe dela já está velha. Mesmo que o Felipe pegue a guarda, ele inevitavelmente vai se casar de novo no futuro. Essa é a sua chance. A criança fica com você, e você realiza seu sonho de ser mãe, o que acha?

A princípio, Fabiana sentira que a presunção daquelas mulheres era desumana e cruel demais.

Mas, com o que Melissa disse, Fabiana de repente achou que havia certa lógica naquelas palavras.

Ela já tinha pensado em adotar a filha de Laís antes, mas infelizmente, Laís havia se recusado terminantemente a abrir mão dela.

Agora que Laís havia desaparecido deste mundo, segundo as leis do Brasil, Felipe era o guardião legal de Aline.

Se Felipe quisesse trazer a criança de volta, a mãe de Laís não teria poder para se opor, mesmo que quisesse.

Era sua própria sobrinha e, agora que a mãe biológica havia partido, se ela conseguisse adotá-la, seria sua mãe legítima no futuro... Pensando nisso, os olhos de Fabiana começaram a brilhar involuntariamente.

Ela não conseguia entender como sua família podia ser tão fria, tão apática e tão insensível.

Porém, como sua voz tinha pouco peso na família, ela nada podia dizer, e nada ousava dizer.

O som cristalino das taças se chocando e as risadas estridentes se misturavam, ecoando por aquela sala ainda impregnada com a presença de Laís.

Tudo aquilo parecia perversamente irônico.

Felipe estava trancado em seu quarto, sem a menor vontade de se envolver com o mundo exterior.

Mas as risadas delas eram estridentes demais, altas demais. Incapaz de suportar mais enquanto sofria sozinho na cama, ele finalmente abriu a porta e desceu as escadas.

— Vocês... já terminaram com essa palhaçada? Não têm vergonha?

Felipe chegou ao pé da escada. Quando viu que aquelas mulheres, movidas a álcool, agora dançavam e cantavam em uma celebração fervorosa, seu rosto ficou lívido de raiva.

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