Chegando a esse ponto, Melissa deu um tapinha no ombro de Felipe, incapaz de esconder sua excitação:
— Meu irmãozinho tolo, essa é uma oportunidade única na vida! A lei está do seu lado, nem a Lídia vai poder fazer nada contra você!
— Em vez de ficar aí sofrendo e chorando, você deveria contatar um advogado o quanto antes para transferir a guarda da Aline para o seu nome. Depois, agindo como o guardião legal dela, faça um levantamento rápido de todos os bens que estão no nome da Laís! Isso é o que importa!
Melissa olhava para o irmão — que sempre falhava nos momentos cruciais, fingindo ser o romântico apaixonado — e sentia o sangue ferver.
Ela tentou acordá-lo, para que ele entendesse qual era o ponto central daquela situação.
Contudo, ao ouvir essas palavras, Felipe fixou o olhar nos olhos dela e, trincando os dentes, cuspiu:
— Parem de sonhar! Eu não vou tocar em nenhum dos bens que a Laís deixou para a Aline.
— Eu jamais usarei a herança da Laís para tapar os buracos do Grupo Vasconcelos! Mesmo que ela tenha partido, eu protegerei essa herança para a Aline!
— Felipe, você tem noção do que está dizendo?!
Melissa olhou para ele com incredulidade, achando que ele havia enlouquecido:
— A Aline ainda é tão pequena, e você é o guardião legal e legítimo dela. Em outras palavras, o jeito que a herança da Laís vai ser usada é problema seu!
— Eu, Felipe Vasconcelos, prefiro morrer a trocar minha filha por dinheiro!
O olhar de Felipe era tão frio quanto o gelo:
— Eu aviso a todas vocês: a partir de hoje, se alguém ousar usar a Aline ou colocar os olhos na herança da Laís, não me culpem por não reconhecer ninguém da minha própria família!
Dito isso, ele se virou e saiu da Vila das Rosas a passos largos, sem sequer olhar mais uma vez para aquele bando de pessoas.
Deixou para trás uma sala cheia de mulheres com o rosto pálido, encarando-se umas às outras.

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