Jorge não desviou o olhar; enfrentou os olhos dela e deu uma resposta firme e sincera:
— Por amor.
Essas palavras soaram firmes e serenas, carregando uma imensa convicção.
Desde que haviam enfrentado o teste de vida ou morte à beira da represa e ele finalmente gritara "eu te amo", Jorge nunca mais escondeu seus verdadeiros sentimentos.
Ele nunca havia amado ninguém de forma tão intensa e direta antes.
Tampouco havia se declarado a alguém de maneira tão clara e inabalável.
Mas, agora, seu mundo emocional estava completamente preenchido por Laís.
Aquele amor era como magma em erupção, batendo e rugindo no fundo de seu coração, tornando impossível reter tanta ardência.
Laís não esperava que Jorge fosse tão direto. Ela ficou paralisada por um momento, enquanto o rubor voltava a subir por suas bochechas.
Ao encarar o olhar sério e franco de Jorge, sentiu como se algo a tivesse queimado profundamente; num instante, era como se inúmeras borboletas esvoaçassem em seu peito.
Após retornarem secretamente ao Brasil no jato particular providenciado por Bill, os dois se instalaram juntos naquela vila em Colinas do Paraíso.
Nem ela nem Jorge podiam voltar para casa no momento, nem aparecer em qualquer lugar público.
Portanto, Colinas do Paraíso era a melhor opção para um esconderijo perfeito.
A vila oferecia altíssima privacidade, segurança rigorosa e ninguém sabia de sua existência.
Eles podiam passar aquele curto período "pós-morte" relaxando ali, para depois escolherem o momento ideal de "ressuscitarem" em grande estilo.
Laís olhou fixamente para Jorge por alguns segundos, seus olhos se curvando em um sorriso. Irradiando suavidade, ela abaixou a cabeça, sem saber como responder.
Durante aquele período, ela sentia que seu coração marcado por cicatrizes estava sendo repetidamente preenchido por Jorge.
Notando a timidez dela, Jorge aproveitou para segurar sua mão e disse suavemente:
— Olhe só para você. Na frente dos outros, é uma gatinha pronta para arranhar, mas, na verdade, é muito gentil, reservada e tímida.
Laís abriu a boca de forma automática.
A sopa quente desceu por sua garganta até o estômago, acalmando também a repentina agitação em seu coração.
Esforçando-se ao máximo para parecer calma, Laís não pôde evitar murmurar baixinho:
— Eu posso tomar sozinha. Desse jeito... sinto que estou virando um bebê gigante.
Ao observar as orelhas avermelhadas dela, o sorriso nos olhos de Jorge se tornou ainda mais profundo.
Ele não a pressionou mais; apenas recolheu a mão, pegou um lenço de papel e limpou o canto dos lábios dela com delicadeza:
— Laís, você sabe o que passou pela minha cabeça naquele dia, diante da morte?
Laís ergueu o olhar, esbarrando naqueles olhos que pareciam capazes de enxergar através de tudo. Seu coração falhou uma batida involuntariamente:
— O que foi?

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