Quando Jorge abriu a porta vestido em um roupão branco, seu olhar estava um pouco nebuloso e seu rosto mantinha um tom avermelhado.
Com o cabelo ainda molhado, sem ter tido tempo de secá-lo, ele expressou um leve constrangimento:
— Mãe, o que a senhora faz aqui?
Clara Campos lançou-lhe um olhar severo:
— Seu moleque atrevido! Por que demorou tanto no banho? Até pensei que tivesse acontecido alguma coisa com você.
Laís, em pé atrás de Clara, lançou um olhar casual a Jorge.
Aquele rápido vislumbre fez o coração dela disparar.
O rosto de Jorge, normalmente tão sereno e iluminado, parecia ainda mais deslumbrante e sedutor após o banho.
Ele era extremamente atraente, mas não tinha aquela beleza agressiva; trazia, em vez disso, uma frieza e um controle profundamente acumulados ao longo dos anos, emanando uma presença quase intimidadora.
Os fios de cabelo molhados caíam desordenados sobre sua testa, dando a ele um ar ainda mais preguiçoso e despojado, sem perder, contudo, aquela nobreza inata.
Laís sentiu sua respiração falhar um instante e, como se seus olhos tivessem sido queimados, desviou o olhar rapidamente do colarinho entreaberto de seu roupão, forçando-se a olhar para outro lado.
Jorge captou a expressão de Laís, e um secreto lampejo de satisfação percorreu seu coração.
Ao ver que ele encarava Laís fixamente, Clara deu-lhe um leve soco no ombro:
— Estão com fome? A mãe trouxe capeletti, querem que eu cozinhe um pouco para vocês?
A pergunta soava cheia de carinho.
Lembrava uma sogra perguntando a recém-casados.
Ao ouvir falar em capeletti, Jorge assentiu de imediato:
— Estou com fome, mãe. Faça bastante.
— Está bem.
Laís apressou-se a dizer:
— Tia Clara, eu ajudo.

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