Ela não conseguiu encontrar palavras para responder àquilo.
Optando por evitar o assunto, simplesmente se virou e caminhou direto para a cozinha.
Clara já havia servido três tigelas de capeletti. Assim que as colocou numa bandeja, Laís apressou-se a pegá-la:
— Tia Clara, deixe-me ajudar.
Sem esperar a recusa de Clara, Laís girou nos calcanhares com a bandeja nas mãos.
— Cuidado que está quente. Melhor eu levar.
Mas, antes que desse dois passos, a bandeja foi gentilmente tomada de suas mãos por Jorge.
A delicadeza entre os dois e a harmonia que fluía tão naturalmente entre eles encheram os olhos e o coração de Clara de alegria.
Era assim que um jovem casal deveria se tratar.
Mas, no passado, ela nunca havia notado tamanha reverência e sincronia entre Jorge e Sofia Ramos.
Antes, sempre que ela e o velho Daniel iam à casa do casal, Sofia colocava-se num pedestal, como uma princesa dando ordens aos seus servos, exigindo que o casal de idosos fizesse isso e aquilo.
No começo, os dois estavam dispostos a se sacrificar pelo filho e pela nora, esperando que seus esforços ajudassem Sofia a se sentir acolhida rapidamente na família.
Mas logo descobriram que tudo o que recebiam em troca era uma enxurrada de exigências irracionais de Sofia e ordens descaradas dentro da própria casa.
Coitados dos dois idosos: um era muito respeitado na comunidade acadêmica e o outro tinha grande prestígio na sociedade, mas ambos viviam sob a tirania da nora, mal conseguindo erguer a cabeça.
Se Sofia não tivesse cavado a própria cova — dando à luz o filho de outro homem numa tentativa de usurpar o lugar de herdeira —, a família Andrade, temia ela, teria sido destruída pelas mãos daquela nora.
Casar-se com uma boa mulher poderia garantir a prosperidade por três gerações.
Mas casar-se com uma mulher má poderia destruir essas mesmas três gerações.
A escuridão e o trauma que Sofia deixou no coração de Clara eram a exata medida do encanto e apreço que ela agora nutria por Laís.
Sorrindo radiante, Clara caminhou feliz na direção dos dois.


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