Felipe Vasconcelos olhou para ela daquele jeito, e quando seu olhar encontrou o sorriso gentil de Laís no porta-retratos, seu coração deu um solavanco repentino.
De repente, ele sentiu que sua família estava agindo de forma desumana.
Laís havia "falecido" há pouco tempo; mesmo que quisessem a guarda da criança, deveriam ir com calma, dando a Lídia Lima um pouco de tempo.
Caso contrário, se ela acabasse cometendo alguma loucura, ele se arrependeria amargamente.
— Dona Lídia, por favor, não se exalte.
Felipe respirou fundo, reprimindo a dor dilacerante em seu peito, e suavizou um pouco o tom de voz:
— Vim hoje principalmente para ver a senhora e a Aline, e para compartilhar o que tenho em mente; não tive nenhuma outra intenção.
— Eu também não imaginava que minha mãe e minha irmã viriam aqui e transformariam a situação nisso. Foi um erro meu não tê-las controlado.
Ele fez uma pausa, seu olhar varrendo novamente o porta-retratos, com a voz grave e exausta:
— Vou levá-las embora agora. Quanto à questão da Aline... peço que a senhora pense um pouco mais. Em breve, pedirei ao meu advogado que entre em contato para tratar dos trâmites.
Depois de dizer isso, Felipe virou-se e saiu da sala com passos largos.
Ele agarrou o braço de Patrícia Lacerda, que ainda estava no chão fazendo birra e rolando, puxou-a de pé à força, e lançou um olhar gélido para Melissa e Sofia:
— Não vão embora? Estão esperando a polícia chegar?
Percebendo que a situação não lhes era favorável, Melissa e Sofia não tiveram escolha a não ser segui-lo, contrariadas.
O grupo deixou a Vila Magnólia de cabeça baixa e humilhado.
Lídia Lima observou friamente a partida deles e bateu a porta com força.
No segundo seguinte, ela não conseguiu evitar que um sorriso de cumplicidade surgisse em seu rosto.
O toque do telefone soou logo depois; ao atender, os cantos de seus lábios se curvaram para cima:
— Laís, você viu tudo o que aconteceu pelas câmeras de segurança, não foi?
Jorge havia comprado cercadinhos e tapetes de EVA pela internet, e já montara um parquinho improvisado na sala de estar da mansão.
Naquele momento, Aline escorregava alegremente no pequeno escorregador dentro do parquinho, enquanto Jorge a protegia com todo o cuidado.
Toda a sua atenção estava voltada para Aline, e seu olhar transbordava uma ternura paternal... Essa cena, em outro tempo, era exatamente o que Laís sonhara enquanto estava grávida.
— A Aline está muito feliz, o Jorge não para de brincar com ela. Mãe, daqui a pouco eu gravo um vídeo e te mando.
— Você está sozinha na Vila Magnólia, por favor, tome muito cuidado nesses próximos dias. O Astor colocou pessoas para vigiar os arredores em segredo, mas, por precaução, evite sair de casa o máximo possível.
Inquieta, Laís reforçou o aviso.
As duas desligaram o telefone logo em seguida.
Ao ouvir as risadas inocentes de Aline ecoarem, Laís caminhou imediatamente na direção deles.
Naquele instante, Aline olhou para Laís, depois para Jorge, balançou as mãozinhas e, com um sorriso radiante, gritou palavras que deixaram tanto Laís quanto Jorge surpresos...

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: A Segunda Vida da Senhora Laís