— Ah, não precisa, eu como sozinha.
Laís finalmente voltou a si, esboçando um sorriso suave nos lábios. Ela pegou seu garfo e deu uma mordida na asa de frango que Jorge havia colocado para ela.
Era preciso admitir, os dotes culinários de Jorge eram excepcionais.
As asas de frango estavam cozidas à perfeição; a carne estava macia e muito saborosa.
— Jorge — começou Laís entre uma mordida e outra, incapaz de se conter —, você já estudou culinária antes?
Jorge ergueu a cabeça e a olhou, com um brilho de humor nos olhos:
— Não, aprendi assistindo a vídeos.
— Então como você cozinha tão bem? — Laís perguntou, ligeiramente surpresa.
Jorge largou os talheres, pegou um guardanapo para limpar as mãos e respondeu em um tom tão brando como se falasse da coisa mais corriqueira do mundo:
— Porque você e a Aline estão aqui, não posso deixar que comam comida de entrega.
Laís piscou, atônita.
Ela olhou para o rosto sério de Jorge e, de repente, percebeu que aquele homem não estava brincando em nenhuma palavra que dizia.
Ele estava, de fato, cuidando dela e de Aline com toda a dedicação, tratando o bem-estar diário delas como sua prioridade máxima.
— Jorge... — a voz de Laís estremeceu de leve. — Você não precisa fazer isso. Não posso simplesmente aceitar seus cuidados de braços cruzados, nós deveríamos ser recíprocos, e não desse jeito.
Jorge a observou, com um traço de resignação e indulgência no olhar:
— Laís, eu já disse, vou fazer com que você confie em mim cem por cento.
— Cuidar de você e da Aline não é uma questão de 'não precisar', e sim de 'ter que ser assim'.
— Durante este período, além das nossas obrigações normais de trabalho, cuidar do dia a dia de vocês também é uma das minhas tarefas diárias.
— Eu não me sinto sobrecarregado, pelo contrário, sinto-me honrado.
O coração de Laís pareceu ter sido duramente atingido por alguma coisa, uma sensação ao mesmo tempo dolorosa e reconfortante.
—
Após a refeição, Jorge começou a recolher a louça. Laís tentou ajudar, mas foi novamente recusada por ele.
Laís, então, apenas levou Aline para brincar de blocos de montar na sala de estar.
Aline, exausta de brincar, não demorou a se encostar no peito de Laís, e logo adormeceu.
Laís, abraçando a filha no sofá, observava em silêncio a figura ocupada de Jorge na cozinha, sentindo que aquela cena transbordava uma vivacidade doméstica tão familiar.
Era realmente mágico.
Houve um tempo em que ela pensara que jamais voltaria a amar alguém nesta vida e que, de forma alguma, iniciaria uma nova jornada com outra pessoa.
No entanto, os repetidos encontros do destino fizeram com que ela e Jorge fossem, de alguma maneira, empurrados por algo invisível, culminando misteriosamente na situação que viviam hoje.
Às vezes, o surgimento de um sentimento parece não ser algo que a razão possa controlar.
Ele é como uma semente que, num momento de descuido, cria raízes e brota silenciosamente, até se tornar uma grande árvore.

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