Em pouco tempo, ele preparou uma refeição farta com três pratos e uma sopa.
Laís ajudou a levar as tigelas, os garfos e as colheres para a mesa, enquanto Jorge servia o risoto de carne com matsutake, que estava na panela de papinha, no prato infantil, trazendo tudo de uma vez.
Dona Zélia, ao ver a cena, apressou-se em pegar o prato para dar comida a Aline.
No entanto, Aline apontou o dedinho para Jorge e, com um biquinho, chamou com sua voz infantil:
— Papai, papai...
Laís podia sentir que Aline não era tão apegada a ela, mas demonstrava um grude excepcional com Jorge.
Nenhum deles a havia ensinado a chamar Jorge de "papai", mas ela o chamava com uma naturalidade surpreendente.
Jorge, diante daquilo, sorriu até seus olhos se tornarem apenas duas fendas. Ele abriu os braços, pegando Aline das mãos de Dona Zélia, e falou com um tom muito natural:
— A Aline quer que o papai dê a comida, não quer?
Aline abraçou o pescoço de Jorge e assentiu docilmente.
A voz de Jorge tornou-se ainda mais suave:
— Está bem, então o papai vai te dar a comida. Sente-se na sua cadeirinha, pode ser?
Aline ainda não sabia falar muito bem, mas assentiu novamente com obediência, olhando para Jorge com um sorriso encantador.
Laís, observando a interação, aproximou-se e disse baixinho:
— Jorge, você já teve muito trabalho cozinhando. Deixe isso comigo, você e a Dona Zélia podem comer primeiro.
Quem diria que Aline, como se tivesse fixado sua escolha em Jorge, imediatamente balançaria as mãozinhas, gritando com o bico feito:
— Não... quero o papai... papai...
Laís olhou para Aline, que se agarrava desesperadamente a Jorge, e perdeu qualquer vontade de insistir, restando-lhe apenas dar um sorriso impotente.
Dona Zélia observava a cena com um sorriso divertido ao lado:
— Não se engane com o tamanho da Aline, ela é muito espertinha.
— Se ela quer que alguém lhe dê comida, tem que ser essa pessoa, senão ela não dá nem uma mordida. Em casa é do mesmo jeito, nem eu nem a senhora conseguimos dar um jeito nela.
Jorge riu de bom humor, tirou o avental e o colocou de lado. Sentou-se, pegou uma colherada e a levou até a boca de Aline:
Se fosse Felipe, ele jamais faria o que Jorge estava fazendo.
Ele não entraria na cozinha, muito menos realizaria uma tarefa tão trivial como alimentar uma criança.
Na mente machista de Felipe, essas coisas sempre pertenceram ao domínio das mulheres.
Contudo, Jorge tinha uma origem muito semelhante à de Felipe. Na verdade, em termos de prestígio, a família Andrade era uma verdadeira família de dinheiro velho, muito mais poderosa que os novos ricos da família Vasconcelos.
Apesar disso, Jorge não carregava os mesmos defeitos de Felipe.
Pelo contrário, ele fazia tudo aquilo com naturalidade, como se fosse um dever inerente e um hábito arraigado.
Por um instante, Laís ficou absorta em seus pensamentos.
Jorge estava concentrado em dar a comida quando, por acaso, notou o olhar de Laís.
Ele pegou uma asa de frango, colocou na tigela de Laís e provocou com um meio sorriso:
— Por que você está me olhando com essa carinha enquanto dou de comer à Aline?
— Por acaso, você também quer que eu te dê na boca?

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