— É aí que a graça mora, quando eles se descontrolam. O meu maior medo é que o Felipe continue fingindo que me trata bem, só para enrolar e não dar o divórcio.
O olhar de Laís esfriou. A atitude atual de Felipe não lhe causava um pingo de simpatia, apenas repulsa:
— Se ele bater de frente comigo e me enfrentar diretamente, melhor ainda. Eu aproveitarei para pegar a guarda da minha filha e todos os benefícios que pertencem a ela!
O divórcio seria uma batalha árdua, e Laís já estava preparada.
E mesmo que não tivesse o apoio do poderoso "parente" nos bastidores, ela daria a vida para brigar de igual para igual.
Enquanto as duas conversavam, duas vozes apressadas e ofegantes invadiram o quarto de hospital.
No instante seguinte, vozes preocupadas ecoaram:
— Carla, minha filhota, deixa a mamãe ver. Onde você se machucou?
— Minha filhinha preciosa, vem dar um abraço no papai. Meu Deus, por pouco não arruinaram esse seu rostinho lindo!
Os pais de Carla, Tomás Torres e Samira Souza, entraram correndo desesperados.
Assim que entraram, correram direto para Carla, pegando cada um numa das mãos da filha e examinando-a carinhosamente.
Aquele amor imenso era de dar inveja, tratando-a como um verdadeiro tesouro machucado, a agonia estampada em seus rostos.
Ao observar aquilo, Laís sentiu o coração doer de culpa e inveja, recuando em silêncio e apenas observando o calor e carinho daquela família de três.
Carla sorriu meigamente:
— Está tudo bem, sério, foi só um arranhão de leve. Se vocês não confiam em mim, eu posso até pular dessa cama e dar uns pulinhos para provar.
— Não faça isso! Fique quietinha aí e descanse! Nunca mais ouse se arriscar assim!
— E pensa que eu não fiquei horrorizada? Em plena luz do dia, no estacionamento de um condomínio... os bandidos cometendo um crime desses?! Vou processar a construtora e os seguranças na justiça! Foi terrível!
— O seu pai até chorou de desespero no avião. Dizem que os homens não choram à toa, eu mesma nunca vi seu pai chorar antes.
Laís ficou com um peso maior no coração depois de escutá-los. Assim que ia abrir a boca para se explicar, Carla piscou para ela.
Carla sorriu, agarrando os pais pelos braços, e comemorou radiante como uma criança:
— Está bem, já chega, é uma coisa tão insignificante para tanto estardalhaço. Olhem para mim, não estou maravilhosa?


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