Helena teve um caso de uma noite ontem.
Quando acordou, o homem havia sumido.
Esse resultado tinha pontos bons e ruins: o lado positivo era não ter que se preocupar com vínculos afetivos, o ruim era que ela nem sequer lembrava do rosto do homem.
Homens e mulheres, um momento de indulgência, cada um para o seu lado, não parecia grande coisa.
Mas com ela era diferente.
Ela tinha medo de morrer.
Por isso, Helena foi ao hospital logo cedo para fazer um painel de DSTs.
Pressionando o algodão no cotovelo, ela olhou para o corredor do hospital com a mente vazia, tentando lembrar do homem da noite anterior. Quantos anos ele disse que tinha?
Dezoito? Seriam dezoito centímetros, ou dezoito anos mesmo?
Conforme tentava lembrar, a dor de cabeça da ressaca piorava.
Ela suspirou, levantou-se para imprimir os resultados no terminal de autoatendimento. A máquina zumbiu e cuspiu um papel. Ela o pegou e, após dar dois passos de cabeça baixa, esbarrou em um peito largo.
Era Henrique.
Por coincidência, os dois haviam tido um encontro às cegas há três dias.
Ele usava óculos de armação dourada e um terno escuro. Era contido e sério, com uma frieza que afastava qualquer um.
Henrique se abaixou para pegar o exame que havia caído: — Não está se sentindo bem?
As famílias Mendes e Barros eram velhas conhecidas. Mas Helena era a "bagagem" que sua mãe trouxera ao casar-se com um Mendes, e ela não tinha muito contato com Henrique, muito menos intimidade.
Ela só sabia que ele era sócio do melhor escritório de advocacia de Porto Real. Havia sido juiz anos antes, era famoso no meio jurídico e, após deixar o cargo público para advogar, transitava bem tanto na política quanto nos negócios.
Tinha capacidade e contatos.
Mas como pessoa, ele era tão frio quanto uma rocha fossilizada do período Cretáceo.
— Sou sete anos mais velho que você. — Essa foi a primeira frase que ele disse no encontro.
— Sim, eu sei. — Helena olhou diretamente para ele, com seus olhos escuros, grandes e brilhantes. — Minha mãe me disse.
Os dois ficaram em silêncio.
— Você só veio a esse encontro para lidar com a pressão da sua família para casar, não é? — Helena quebrou o silêncio e acrescentou: — Isso eu também ouvi da minha mãe.
Fora isso, ela não conseguia pensar em outro motivo para ele estar ali com ela.
— O que mais você ouviu? — O tom de Henrique continuou o mesmo, mas sua expressão tinha um meio sorriso com uma frieza indescritível.


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