Os procedimentos hospitalares mostraram-se burocráticos e impessoais.
Heloisa assumiu todas essas responsabilidades do início ao fim.
O velório foi marcado para três dias depois. As crianças do orfanato compareceram todas, vestidas com trajes pretos impecáveis, permanecendo em silêncio ao lado de Amara, com lágrimas nos olhos.
Entre essas crianças, a mais nova tinha apenas cinco anos, mas já compreendia o significado da separação definitiva entre a vida e a morte.
Durante toda a cerimônia de despedida, Amara manteve uma calma estranha, sem choro, sem acessos de desespero, apenas permanecendo em silêncio, aceitando as palavras de conforto de cada um, como se fosse uma casca vazia ambulante.
Após o funeral, as burocracias tornaram-se ainda mais complexas: encerramento de contas bancárias, acerto do plano de saúde e a organização dos poucos pertences pessoais da diretora.
Heloisa auxiliou Amara em cada etapa, observando constantemente seu estado, temendo que ela desabasse a qualquer momento.
Após uma semana inteira de idas e vindas, finalmente tudo chegou ao fim.
Heloisa acompanhou Amara de volta ao apartamento vazio. Sentaram-se em silêncio no sofá, olhando o sol que se punha lentamente pela janela, sem pronunciar uma palavra.
Os últimos raios do pôr do sol banharam o rosto pálido de Amara.
Seu perfil, à luz do entardecer, parecia ainda mais nítido e frágil.
O céu escureceu aos poucos, o crepúsculo cobriu o horizonte lá fora e os contornos da cidade tornaram-se difusos e enevoados na noite que chegava.
Amara continuou sentada em silêncio diante da janela, olhando para o horizonte distante, com um olhar vazio e perdido.
Heloisa trouxe uma xícara de chá quente e a colocou sobre a mesinha de centro. O vapor subiu e dissipou-se no ar frio.
“Beba um pouco de chá, vai te aquecer.”
Amara virou o rosto, forçou um sorriso e aceitou a xícara.
De repente, uma queima de fogos iluminou o céu distante, seguida por uma segunda e terceira explosão.
Heloisa olhou para Amara com compaixão, mas não encontrou palavras de consolo; tudo o que havia preparado soava inútil naquele momento.
No céu noturno, os fogos ficaram ainda mais intensos, explodindo e desaparecendo no escuro.
Amara desviou o olhar, fixando os olhos no chá agora frio sobre a mesa, sentindo algo desmoronar dentro de si.
As lágrimas reprimidas finalmente romperam a barreira.
Ela abraçou os próprios ombros, como se quisesse despedaçar a si mesma, e o choro silencioso logo se transformou em soluços dilacerantes.
Heloisa a envolveu num abraço forte, deixando que a cabeça de Amara repousasse em seu ombro, permitindo que as lágrimas encharcassem sua roupa.
“Estou tão cansada, Heloisa… Estou realmente tão cansada…”
Heloisa acariciou suas costas, consolando-a suavemente como uma criança: “Chora, Amara, pode chorar… vai passar…”

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: A Última Chance do Amor
Podem, por favor atualizar os capítulos após o 110? Já estou chegando lá!!...