"..."
Jessie rangeu os dentes enquanto observava a prima se virar para sair.
Christina era assim desde criança: sempre que havia algo bom, pegava para si sem nem perguntar. Jessie esperava o dia em que ela não fosse tão gananciosa e lhe desse alguma coisa.
Mas o presidente do Granger Group era seu pai, ou seja, era herdeira da família, e, por isso, não precisava se esforçar tanto para conquistar as coisas.
Quando Christina saiu para a Mansão de Rosas, Martin ainda não tinha chegado, mas outra pessoa sim. Uma BMW prata parou no portão, e Harry desceu do carro.
"Harry!" Quando viu o namorado, Jessie ficou tão animada que esticou os braços e se jogou em cima dele, batendo no ombro de Christina de propósito.
Harry perdeu o equilíbrio, bateu as costas no veículo e, por causa da cabeçada de Jessie em seu queixo, mordeu a língua. A dor foi tanta que ele até viu estrelas.
Christina assistiu àquela cena ridícula e não conseguiu conter a risada. Não era de se admirar que diziam que essa demonstração de afeto pública ia acabar matando alguém.
"Harry, você está bem?"
Jessie não achava que ele fosse ser tão fraco e, depressa, verificou se estava bem.
Irritado e sem conseguir falar de dor, ele a empurrou para o lado e cobriu a boca para aliviar a dor. Quando olhou para cima e viu Christina, seus olhos arregalaram.
Ela estava usando um vestido vermelho de seda que ia até os tornozelos, realçando sua figura esbelta, nobre e elegante. O modelo de um ombro só revelava a delicadeza do colo, acrescentando um toque de sensualidade. Quando ficou na luz, brilhou!
Como podia ser tão bonita?
Harry a olhou fixamente, sem conseguir evitar lamber os lábios e engolir a água que encheu sua boca.
Jessie ficou ao lado do namorado, vendo-o encarar Christina. Ele não tinha nem lhe dado bola. Sentindo-se injustiçada e com ciúme, ela puxou seu rosto e o forçou a olhar para ela.
"Harry, estou aqui, olhe! O que você achou da minha roupa hoje?"
Jessie ergueu a barra do vestido e deu uma voltinha como uma princesa, esperando ansiosa pelo elogio do namorado, mas, quando ergueu a cabeça, viu o olhar de nojo dele.
Harry estava encostado no carro de braços cruzados, sem se preocupar em disfarçar o desgosto. "Quantas vezes eu já falei para você não usar azul tão escuro? Não dá para mudar a cor? E quantos anos você tem para usar um vestido de pele? Você acha que ainda é uma garota de dezoito anos?
Ele ficou reclamando de Jessie, que não era nada comparada a Christina e que o fuzilou com os olhos.
Ela sabia que era feia. Desde criança, nunca era tão bonita quanto sua prima.
Christina tinha a pele da Branca de Neve, mas Jessie tinha a pele mais escura. Não importava o que fizesse: Christina tinha 1,68 metros, e Jessie, que parou de crescer no primeiro ano do ensino médio, 1,58.
Deus nunca tinha sido tão injusto. Christina era um belo cisne branco, e ela era o patinho feio. Mas, um dia, o patinho feio viraria um cisne!
Quanto mais escutava, mas desconfortável ficava. Ele diminuiu a própria namorada e destruiu sua confiança com palavras.
Jessie tremeu por instinto e tentou se esconder atrás de Harry, que estava com mais medo do que ela — ele acreditava em fantasmas e sempre achou que a volta de Christina significava que iria morrer.
A mulher foi até Jessie e a pegou pelo pescoço, tirando-a do chão e deixando-a sem ar.
"O que você acabou de falar? Repeta."
O rosto da garota estava vermelho, e, na ponta dos pés, ela segurava a mão de Christina com desespero, tentando falar, mas sem conseguir.
Harry estava tremendo de medo. "Chris, Christina..."
O homem queria pará-la, mas o olhar que recebeu o obrigou a recuar, e ele quase ficou de joelhos.
Christina olhou para Jessie, quase morrendo enforcada com os olhos revirados, e disse: "Eu falei que ia voltar para tirar a vida de vocês, acham que é brincadeira? É fácil que nem tirar doce de criança. Se não quiserem morrer, calem a boca e se coloquem em seus lugares. Entendido?"
Nesse momento, Jessie, que estava lutando para sobreviver, concordava com a cabeça sem parar.
Christina diminuiu a força e jogou a menina em Harry. Jessie conseguiu respirar de novo e segurou o pescoço, tossindo desesperadamente.
Finalmente, Martin chegou em seu Maybach. Ele saiu do carro e caminhou até a amiga. "O que foi?"
"Já está tudo bem, ensinei uma prima burra a se comportar." Christina pegou a toalha úmida que seu assistente lhe entregou e limpou as mãos. "Vamos", disse a Martin, e saiu em seus saltos altos.

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