Uma coisinha de nada não era capaz de acabar com o dia de Christina.
O banquete beneficente organizado pela Zero Times aconteceu no Imperial Hotel. Como líder na indústria de moda nacional, as atividades da Zero Times estavam ficando cada vez mais sofisticadas — celebridades chegavam a brigar por um convite.
Christina, porém, não precisava disso: entrou direto com Martin, atraindo muita atenção.
No tapete vermelho, o apresentador entrevistava os famosos, que sorriam para as câmeras e conversavam uns com os outros. Eles não deram autógrafos e posaram ao lado do cartaz até terem sua imagem bem registrada. Christina, no entanto, passou reto pelo tapete e sinalizou com a mão, pedindo que lhe dessem uma caneta.
Os repórteres olharam para aquela mulher, linda e com uma energia boa, tentando adivinhar de que família ela vinha. Erguendo as câmeras, eles tentaram fotografá-la, mas foram parados por guarda-costas.
De costas, Christina aguardou Martin terminar de assinar seu nome. "Tem certeza que vão leiloar cerâmicas? Não minta para mim", perguntou ela.
Martin entregou a caneta ao recepcionista, colocou a mão no ombro de Christina e entrou. "Eu já menti para você? Venha, vou te levar nos bastidores ver se tem alguma coisa boa. Se você gostar, te dou de presente", respondeu.
Contudo, antes disso, encontraram a editora da Zero Times e a cumprimentaram: "Oi, senhora Bergen!", disse Martin.
A mulher o abraçou e deu um tapa de leve em suas costas. "Quanta formalidade, me chame de tia!"
Martin continuou provocando. "Eu não sou tão novo assim para te chamar de tia."
Mary Bergen deu outro tapinha nele e abraçou Christina. "Christina, quanto tempo! Como você está?"
"Estou bem e você? Parece até mais nova."
Sem poder fazer muita coisa, Mary apontou para os irmãos ousados e disse: "Vocês não têm jeito, não param de me irritar".
Tanto Martin quanto Christina sorriram de forma pueril.
Mary, a editora-chefe da Zero Times, era tia de Martin. Ela tinha visto Christina crescer, e as duas eram muito próximas. A herdeira do Granger Group não a chamava de tia, mas a chamava pelo apelido.
Christina raramente ia a eventos públicos, mas, dessa vez, foi pelas antiguidades e por Mary.
Já que Martin estava ali, a tia não o deixaria escapar tão fácil e o levou para se encontrar com algumas pessoas. Christina o viu partir e, feliz e relaxada, se dirigiu com calma aos bastidores.
Alguns indivíduos já tinham chegado ao local e, em pequenos grupos, papeavam. Sozinha, Christina andou sem olhar para os lados — apenas dando uma olhada casual quando ouviu uma agitação atrás de si. Contudo, quando viu uma figura familiar, parou na mesma hora.
Como se pressentisse, a figura também olhou em sua direção. De todas as pessoas, algumas das quais gritavam, o homem olhou diretamente para ela.
Christina franziu o cenho, e seu coração disparou quando viu o olhar distante e frio.
"Adolph. Porque ele está aqui?"
Quando viu Hyman, andando e flertando com uma mulher, entendeu tudo.
Acompanhado pela música melódica e enérgica do piano, Adolph atravessou a multidão, caminhando até Christina com passos firmes e decididos. Mesmo dessa forma, ele ainda era lindo, calmo, gracioso... Tudo era tão familiar.
Até seu perfume fazia Christina pensar que ainda eram marido e mulher, como se estivesse hipnotizada.
Se não estivessem no salão e naquele momento, seria ela a iniciar a conversa, sorrindo e dando as boas-vindas. "Você voltou?"
Sua resposta seria ou o silêncio, ou um "hmm" frio.
Adolph fechou a cara e deu um tapa na mão do outro homem para afastá-la. "Dá um tempo!"
Hyman o olhou de braços cruzados, balançou a cabeça e disse: "Tsc, tsc, não é querendo te criticar, mas você já ouviu o ditado 'o que passou, passou'? A pior coisa que você pode fazer é continuar conectado com uma ex. Se quer amar ela, ame de todo o coração, mas se quiser terminar, coloque um ponto final definitivo. Não misture as coisas. Um espelho quebrado nunca volta ao normal, mesmo consertando ele. Não dá para voltar atrás. Além do mais, se pergunte uma coisa: você gosta mesmo dela ou só não está acostumado a ficar sozinho?"
Adolph franziu as sobrancelhas ligeiramente e, depois de um tempo, disse: "Eu só quero uma resposta".
"Que resposta?", perguntou Hyman
O amigo não respondeu; em vez disso, com as pernas longas, correu em direção a Christina.
Ao ver aquilo, Hyman sacudiu a cabeça. Ele achava que o amor vinha fácil demais para Adolph e que este merecia sofrer um pouco.
Quando Christina chegou aos bastidores, estava agitada.
Ela fechou os olhos discretamente e se odiou por sua inutilidade. Tinha prometido parar de ter qualquer sentimento por ele. No entanto, por que seu coração disparou assim que ele apareceu?
"Calma, calma."
Christina se esforçou para ficar relaxada, se lembrando de todas as vezes em que Adolph a tinha rejeitado e o quanto ela tinha chorado e sofrido com isso. Na mesma hora, riu de si mesma e disse: "Ele está aqui, mas não veio porque gosta de mim".
Então, a presença dele não importava.
Enquanto isso, os bastidores estavam ocupados, com uma equipe trabalhando em conjunto para levar um balcão para fora. De repente, um dos membros tropeçou, esbarrando o balcão em Christina.
A mulher ficou atordoada e reagiu meio devagar. Quando ia desviar, ouviu um grito de "Cuidado!". Então, uma mão grande a puxou, fazendo-a cair em um peitoral forte.

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