"Se não podemos ser o casal, poderiamos ser os amigos, então se não podemos ser amantes?"
A pergunta de Christina confundiu Hyman.
Ele ficou refletindo por um tempo. Apesar de ter tido inúmeras namoradas, nunca tinha estado em um casamento e vivenciado suas dificuldades. Como não conseguia chegar numa solução, passou a bola para o amigo: "O que você acha?"
Adolph olhou bem para Christina. Debaixo do sorriso zombeteiro, podia-se ver toda a sua dor.
Ela se lembrou daquele dia em que ele mencionou o divórcio: tinha ficado triste, aflita e até chegado a perguntar humildemente se podiam não se separar.
Na época, ele não sentiu muito peso na consciência — só queria pôr logo um fim naquele casamento sem amor, dar à amada um lar aconchegante e devolver à Christina sua liberdade.
Mas então por que seu coração parou uma batida quando ela perguntou aquilo?
Foi como se tivesse levado um soco.
"Por que você casou comigo naquela época?" Perguntou Adolph novamente, muito confuso.
Christina fechou a cara. Por que ele ainda estava pensando naquilo?
"Já disse. Não importa. A gente já se divorciou, eu não tenho mais nada com você. É o que importa."
Com aquelas palavras firmes, ela puxou Hyman pelo colarinho. "Vamos!"
"Ei, ei, ei. Assim eu vou andar que nem um camelo, devagar...", disse Hyman aos trôpegos atrás da mulher.
No entanto, quando Christina ia sair, alguém segurou seu outro pulso.
Adolph foi atrás dela, sem conseguir deixar de perguntar: "Você é uma Granger, não precisa de dinheiro nem de fama. Por que quis casar comigo quando eu estava paralisado por causa de um acidente de carro? O que você queria?"
Sua voz não era suave nem grave, mas se assemelhava a uma grande pedra caindo num lago, causando uma enorme agitação nas águas do escritório presidencial.
Vincent, que tinha pegado o elevador, acabou ouvindo a conversa, e suas pupilas se retraíram.
Todos estavam em silêncio absoluto, chocados.
O que ele tinha dito?
A senhorita Granger foi casada?
Aquele homem, o Sr. Santos, tinha sido marido dela!
Christina não queria saber de conversa com Adolph, mas ele insistia naquela pergunta.
Ela olhou para a mão que a segurava e levantou a cabeça com determinação. Tudo aquilo era muito ridículo e desnecessário, pensou.
Retraindo a mão, ela o encarou com frieza: "Me solte."
Adolph nunca gostou de ter contato direto com mulheres, mas, naquele dia, queria uma resposta. Tinha medo de que, assim que a soltasse, ela fosse fugir e o evitar de novo. Por isso, segurou seu pulso com mais força.
"Me responda, e eu solto."
Christina exalava desprezo. Aquela pessoa a sua frente sempre tinha sido digno, mas, agora, queria arrumar confusão.
Ela queria se soltar, mas ele não deixava.
De repente, sentiu muita raiva. Olhando diretamente em seus olhos, disse: "O que você quer ouvir?"
Adolph ficou confuso. "Eu..."
......
Christina revirou os olhos. "Pode deixar. Faça ele ir embora!"
Então, olhando para os assistentes, que assistiam a tudo e se divertiam, ela disse com severidade: "Quando começarem a trabalhar direito, vocês podem rir. Por enquanto, calem a boca. Se alguém comentar sobre o que acabou de acontecer, vai ser demitido".
A equipe do escritório presidencial abaixou a cabeça e focou no trabalho.
Depois que Christina levou Gabriel e os outros para baixo, Hyman deu um tapinha nas costas de Adolph. "Você viu como ela ficou, deixa para lá. Pode voltar para a Cidade N que eu resolvo as coisas com a sua ex-mulher."
E, após o comentário inconveniente, a seguiu alegremente. "Christina, me espere."
Mais uma vez, eles se separaram de forma infeliz.
Adolph cerrou o punho ao lado do corpo e, vendo a figura indiferente e esbelta da mulher partir, franziu os lábios em uma linha fina.
Desde quando ela tinha parado de sorrir para ele? E desde quando o deixava falando sozinho?
Tinha recusado a respondê-lo.
"Sr. Santos, vamos." Walt não aguentava mais ver seu chefe naquela situação tão... deplorável!
Ao menos ele tinha visto como uma faca cega também era capaz de matar.
Como uma pessoa com um bom temperamento podia se tornar assustadora quando o perdia.
Adolph estava prestes a sair quando Vincent se aproximou.
"Sr. Santos, eu sou o Vincent Borges, vice-presidente do Granger Group. Você se importa de conversa?"

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