Arson parecia estar se rebelando.
Eu me levantei e deixei que Trace acompanhasse Benjamon nos exames novamente, e fui até o escritório dele para levar o café.
A porta estava trancada e ele não parecia a fim de receber ninguém. Quando eu já estava prestes a sair, a porta finalmente foi aberta.
— Entre! — disse ele, de costas para mim.
Caminhei até a mesa dele com a xícara em mãos e, quando levei meus olhos até ele, vi que Arson não estava de bom humor, e aquilo me causou arrepios.
— Você precisa de ajuda com alguma coisa? — perguntei, indo até ele, mas antes que eu me aproximasse, Mary entrou na sala, agindo com ignorância.
— Arson, eu exijo uma explicação! — disse ela irritada, exibindo o celular em mãos.
— Mamãe, isso é irrelevante! — gritou Suzan, aparecendo por trás dela. Assim que me movi para me afastar, Arson segurou meu pulso.
Olhei para ele, assustada, e assim que puxei minha mão para desfazer o contato, ele foi até a porta. Em seguida, mais duas pessoas entraram.
— Bel? — perguntei, confusa, ao vê-la passar pela porta... e com uma barriga?
O que estava havendo?
— Oi! — disse ela, me dando uma piscadela e indo se sentar na cadeira de Arson.
— Posso saber o que está acontecendo aqui? — perguntou Mary, de forma afrontosa.
Cirus, que estava acompanhando a esposa, caminhou até a mesa de Arson e tirou alguns blocos de folhas, colocando-os sobre ela.
— Primeiramente, bom dia a todos. — disse Cirus, nos olhando com seriedade.
Levei meus olhos para Arson, que estava voltando para sua cadeira, e franzi as sobrancelhas, demonstrando minha confusão.
Ele se colocou atrás de Belina e ficou em postura, esperando que Cirus falasse por ele.
O homem então começou:
— Bom, como todos já estão sabendo, minha esposa está grávida. É uma gravidez de alto risco, e por isso, decidimos juntos que ela não deveria mais se responsabilizar pela empresa. Belina decidiu, por conta própria, passar sua parte dos negócios para seu primo, Arson.
Assim que Cirus disse aquilo, todos — menos eu — pareceram estar assustados.
— Isso é muito bom, você precisa descansar! — falei, exibindo um sorriso e vendo-a concordar.
— E o que temos a ver com isso? — perguntou Mary, com arrogância.
— Tecnicamente, você nada! Afinal, meu primo se casou com a sua filha, e não com você. — respondeu Belina, se exaltando.
No mesmo instante, me levantei e fui até ela para tentar ajudar.
— Ei! Não deixe que coisas assim façam mal a você e ao seu bebê! — respondi, me virando para Mary em seguida.
— A sua filha é maior de idade e uma mulher casada. Você não tinha que estar aqui, respondendo por ela. Mas eu entendo sua situação. Na próxima vez que falar algo para irritar a minha amiga, serei eu quem vai te colocar para fora. — falei com um tom ríspido, vendo-a abrir a boca pelo espanto.
— Sua... — Antes que ela terminasse de dizer o que queria, Suzan segurou o braço dela, a chamando com delicadeza.
— Mamãe, por favor! — disse ela, me olhando diretamente.
Arson estava calado. Eu mesma havia defendido Belina, e provavelmente aquilo o deixou satisfeito.
— Bom, então vou continuar. — disse Cirus, nos olhando. — O senhor Schimidth também se afastou dessa atividade. Ele anda tendo muitos trabalhos com os hotéis e, definitivamente, a rede de joalherias Schimidth precisa de alguém no controle.
Quando Cirus disse aquilo, vi um brilho nos olhos de Mary; só um bobo para não notar suas intenções.
— Arson, quer continuar? — perguntou Cirus, passando a palavra.
Arson então sorriu fraco e assentiu com a cabeça, confirmando.
— Bom, como sabem, muitas coisas aconteceram nesses últimos meses. Descobri que sou pai, me casei, meu filho adoeceu e, em seguida, minha esposa. Que cara de sorte, não? — disse ele, com um riso amarelo.
— Querido, não fale assim! — disse Suzan, com a voz mais doce do que o normal.
Aquilo me causou repulsa.
Arson não deu muita atenção e então continuou:
— Hm, uma peça única que gerou apenas dois modelos, e um deles era seu. Então, senhora embaixadora, precisa aceitar seu emprego de volta e retomar suas atividades! — disse ele, com um sorriso.
— Alguém aqui se opõe? — disse ela com ironia. — Ah, não podemos esquecer que eles se casaram em comunhão total de bens!
— Bom, isso é verdade! O que quer dizer que todo lucro e dívida que ele obteve durante o casamento são dos dois. E como vocês sabem, a empresa gerou alguns gastos e está recuperando o lucro agora. Por isso, Arson se dispôs a pagar o tratamento com o próprio dinheiro, o que não dá direito a indenização. Mas, ainda assim, ele quer fazer.
— Sim! — respondeu Arson, por cima das palavras de Cirus.
— Então é isso? Você fecha um projeto como meu marido, se casa com minha filha e dá um pé na bunda dela só porque essa vadia voltou? — perguntou Mary, ameaçando vir até mim.
— NÃO A CHAME ASSIM! — gritou Belina, se exaltando. No mesmo instante, Arson deu um murro na mesa.
— Quem disse isso à senhora? — disse Arson, a encarando com o maxilar travado. Já fazia um tempo que eu não o via assim.
— Mary, retire o que disse! — disse ele, com a voz forte.
— É a verdade! Ela trabalhava em um prostíbulo e se vendeu para estar com você. Vai negar?
— Vou! — disse ele, com fúria. Antes que ele a respondesse, eu o puxei pelo braço e o encarei.
— Senhora Mary, por acaso atendi seu marido lá? — perguntei com ironia, vendo Arson me olhar assustado.
— Do que está falando? George não frequenta esse tipo de lugar e...
— Tenho certeza que não. Senão, como a senhora poderia saber tanto, se não foi até lá o buscar?
— O quê? — perguntaram Suzan e Mary em uníssono, espantadas.
— Me casei com meu noivo sem saber quem ele era. Engravidei, enterrei um filho e terminei com ele grávida de novo. Foi aí que a sua filha se casou com ele. Então, se tem alguém aqui que eu deveria insultar, seria ela, por se casar com um homem comprometido e por dinheiro.
— Lavine! — disse Arson, me repreendendo.
Fingi que não ouvi e levei os olhos para Cirus e Belina, exibindo a eles um sorriso.
— Senhora, eu vou fazer o que me pediram. Quando começo?

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: A Virgem de Luxo
Qdo vão liberar os capítulos ???lento demais...