Waleska Velasco...
Ele pensa que não vi seus olhos de cobiça enquanto esmagava as uvas. Como não iria reparar! Um rosto lindo com um olhar intenso e safado junto ao sorriso genuinamente debochado. Tudo isso em cima de um belo corpo, trajado de calça jeans torneando seu belo traseiro, blusa social branca com os botões abertos, o estilo cafajeste, que dá para os olhos mais curiosos como meu, ver perfeitamente seu tórax definido.
A prosa estava até boa, sua voz máscula era como música para os meus ouvidos. Geralmente quando aparece um sebosinho de conversa mole logo dou um passa fora. Mas daquele homem me senti atraída feito um ímã.
Era lindo demais para eu não aproveitar alguns minutos de conversa fora com ele. Logo o protetômetro de Asunta disparou e estava me arrastando como se o carinha fosse me devorar.
— Calma Asunta! Está machucando meu braço. — Tento frear suas mãos firmes no meu braço, depois era bem capaz de deixar uma marca.
— Você sabe muito bem o que esses caras de fora querem? Só desfrutar da sua beleza. Depois de descartam.
— Tenho 28 anos. Já parou para pensar que posso estar a fim de desfrutar da beleza deles também? — vociferei minha frustração.
— Vamos falar com a mamãe e ver o que ela pensa disso. — Ela fala como se a essa altura minha mãe tivesse algum controle sobre mim.
— Fale o que quiser. — esbravejo minha raiva — não estava fazendo nada demais. Só conversando. Pare de achar que os homens de fora são uns monstros pronto para papar moçoilas interioranas. Não sou uma idiota sonsa
O melhor que tinha para fazer é ir ajudar minha mãe na barraca. As paranóias de Asunta não são para mim. A tenda está lotada, e dona Gioconda que nem uma louca sozinha, afinal, meu pai só servia para gastar o dinheiro que não tínhamos.
— Ainda bem que chegaram meninas. — Ela junta as mãos como em uma reza.
— Senta um pouco mãe. Asunta e eu assumimos.
Pedir para minha mãe desligar, era o mesmo que pedir a Asunta para ser tolerante. Duas coisas que nunca aconteceriam. Uma só parava de trabalhar quando dormia e a outra tinha uma amostra grátis de paciência.
Aqui na província todos se conhecem, até na festa da uva conhecemos o rosto do pessoal da cidade vizinha que vem para cá. Conhecemos alguém de fora até pelo modo de se vestir diferente. O homem que se aproximava da tenda, pela vestimenta, era mais um homem da capital. Bonito! Bonito à beça, mas nem de longe é tão bonito como Rocco Nobledo.
Chegou com um sorriso expansivo, o estilo que Asunta sempre fala — o famoso conquistador barato — mas ela apenas o olha de soslaio, enquanto ele banca o simpático para cima dela.
Essa eu pagaria para vê.
— O que vai querer? — pergunta seca, sem nenhuma simpatia para o cliente a sua frente. Ela não era do tipo que forçava simpatia, nem para uma boa venda.
O rapaz tinha rasgado na boca um sorriso branco. — Boa tarde, bela senhorita! Gostaria de provar o prosecco Gemelli dos Velasco.
— É pra já. — ouço Asunta resmungar o chamando de aproveitador. Como disse, ela não tem paciência. Julga tudo com muita facilidade.
Nada de plástico, o cara tinha potencial de compra, peguei uma taça de vidro para impressionar e gotejei a primeira prova. Ele virou de uma só vez, apesar de ser pouco, é bom gargarejar o vinho para sentir melhor o sabor. Sempre começo pelos secos, se o cliente beber algo adocicado e suave primeiro, os demais irão descer rasgando e é bem capaz de achar ruim.
Tudo que colocava no copo ele dizia estar uma delícia, eu via o olhar de Asunta, se minha mãe não a segurasse, minha irmã já teria expulsado o cliente.
Em meio a um papo amistoso, ou talvez um interrogatório da minha vida e da cidade, o rapaz bonito levou 15 garrafas dos nossos vinhos mais caros. Até uma série ouro, produzida pelo meu tataravô, que custa 500 euros, ele comprou sem pechinchar.
Com jeitinho e um belo sorriso empurrei quase todas as safras que tínhamos na tenda, Asunta ficou com a cara no chão e minha mãe vibrou com o dinheiro da venda que veio em boa hora. Iria nos tirar de alguns problemas financeiros mais urgentes.
Algo nele me deixou bastante intrigada, quando Asunta se distraía com os outros clientes, o moço do sorriso bonito, tratava de me perguntar coisas bem intimistas da vida de Asunta.
Pensei que o rapaz era mais um a fim de comprar a vinícola. Porém suas perguntas estavam voltadas para vida pessoal da minha irmã. Até a idade dela ele perguntou. Achei bem estranho, deve está afim dela. Como gostaria que ela desse uma relaxada, quem sabe assim ficaria menos tensa, para não dizer chata. Mas sei que esse aí está fora de cogitação, minha irmã odeia homens de fora.
Ah! Se a Asunta descobrir que o forasteiro está interessado nela...

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