POV: NATHAN
Nos dias seguintes, descobri que existia uma coisa pior do que ver Sakura beijando outro homem.
Não saber o que tinha acontecido depois.
Eu não perguntei.
Essa era uma das poucas regras que ainda conseguia cumprir quando se tratava dela. Sakura tinha escolhido seguir a própria vida e eu não tinha direito de interrogá-la através de Diego, procurar informação com Sky ou inventar qualquer desculpa idiota para aparecer.
Então fiz o que vinha fazendo havia anos.
Trabalhei.
Ou tentei.
Passei os dias entre projetos, reuniões, avaliações técnicas e problemas da Blackwood que normalmente seriam suficientes para ocupar minha cabeça. Não foram.
Pablo continuava aparecendo nela.
A mão na cintura de Sakura.
A boca dela na dele.
Principalmente o segundo em que Sakura olhou para mim antes de beijá-lo.
Aquilo tinha sido para mim.
Eu sabia.
Não significava que ela ainda me amava. Não significava que queria voltar para mim. Podia significar simplesmente que estava puta e queria me atingir.
Conseguiu.
O problema era que eu não sabia o que tinha acontecido depois que os dois entraram naquele carro.
E minha cabeça tinha imaginação suficiente para me torturar sozinha.
No terceiro dia, Rocco ainda estava no hospital, a Blackwood continuava um caos e eu já estava de saco cheio de mim mesmo.
Precisava desligar.
Não pensar em Sakura.
Não pensar em Pablo.
Não pensar em Diego.
Principalmente, não pensar na quantidade de vezes em que eu tinha conseguido tudo que queria e depois reclamado quando Sakura finalmente resolveu fazer o que eu tinha mandado.
Seguir em frente.
Foi por isso que mandei uma mensagem para Kiwi.
Ela respondeu alguns minutos depois.
Kiwi era fácil.
Não porque fosse uma mulher fácil. Nunca pensei nela daquele jeito.
Era fácil porque nós dois sabíamos exatamente o que existia entre nós.
Nada além do que combinávamos.
Ela era bonita, loira, alta, tinha olhos claros e não se parecia com Sakura em absolutamente porra nenhuma.
Isso também não era acidente.
Demorei para perceber que fazia aquilo.
Depois percebi e continuei.
Eu evitava mulheres com cabelo preto e liso. Evitava olhos que lembrassem os dela. Evitava determinadas alturas, determinados corpos e até alguns perfumes.
Se uma mulher me lembrasse Sakura demais, eu perdia o interesse.
Ridículo.
Eu podia passar anos fugindo dela e ainda organizava até minhas escolhas casuais em função da mulher da qual estava fugindo.
Kiwi não fazia perguntas sobre a minha vida pessoal. Eu não fazia perguntas sobre a dela. Nós nos conhecíamos havia tempo suficiente para que ela soubesse quando eu estava procurando companhia e quando simplesmente precisava esvaziar a cabeça.
Naquela noite, era a segunda opção.
O Ambrosia estava funcionando normalmente quando cheguei.
Eu conhecia aquele lugar bem demais.
Conhecia os corredores, as salas, as regras, as pessoas que frequentavam e principalmente a facilidade com que tudo ali podia permanecer separado da vida do lado de fora.
Talvez fosse por isso que sempre voltava.
No Ambrosia, ninguém precisava amar ninguém.
Ninguém precisava prometer casamento, família ou futuro.
Existiam limites.
Acordos.
Escolhas.
Era muito mais simples do que Sakura.
Meu celular vibrou quando eu ainda estava terminando de guardar algumas coisas.
Diego.
Olhei a mensagem e soltei uma risada curta.
Ele também apareceria naquela noite.
Anos atrás, aquela informação teria me surpreendido muito mais. Hoje não.
Diego tinha levado tempo para conseguir viver algumas partes da própria vida sem culpa ou medo. Eu tinha acompanhado boa parte daquele processo e sabia o quanto aquilo tinha custado.
Alex fazia parte da mudança.
Diego demorou para me contar.
Eu já desconfiava havia algum tempo, principalmente porque conhecia meu melhor amigo bem demais. Quando finalmente falou, fez parecer uma informação casual.
Não era.
Para Diego, nunca era.
Ele tinha passado anos protegendo aquela parte de si mesmo. Contar significava confiar.
Eu não fiz piada.
Não perguntei mais do que ele quis responder.

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