Notando isso de relance, Yasmin fez um giro perfeito, esquivando-se totalmente da água.
Iiihh!
O Rolls-Royce freou um pouco mais à frente.
Yasmin encerrou a chamada bem nesse instante.
— Queira me perdoar imensamente, senhorita. Eu não a havia notado... — O motorista pulou do banco com toda a pressa, desculpando-se, amedrontado.
— Está tudo bem. Só tenha mais atenção da próxima vez. — Yasmin bateu nas roupas e respondeu num tom raso.
E foi nesse mesmo momento que a janela no assento traseiro rolou suavemente para baixo.
— O que aconteceu? — Uma voz masculina lúgubre, rouca e gélida surgiu do fundo do carro.
Yasmin levantou ligeiramente o olhar e topou diretamente com um rosto tão bem delineado e esculpido quanto um modelo em um estúdio de fotografia.
Os olhos profundos daquele homem lembravam piscinas glaciais e ele mantinha seus finos lábios fechados numa expressão de austeridade. Seu corpo irradiava pura intimidação impessoal.
Havia ali apenas um tom de doentia e cadavérica palidez.
O homem tinha um ar tão majestoso que parecia irreal, e ao mesmo tempo incutia temor pelo modo gélido como olhava para tudo.
Uma pena, de fato... Envenenado...
Suspirou. É, os céus afinal têm a sua justiça moral...
Yasmin pensava consigo mesma.
— Sr. Guerra, perdoe-me. Fui descuidado de minha parte. — Disse o motorista, tremendo.
O olhar indiferente de Gabriel Guerra varreu o rosto de Yasmin vagarosamente.
— Minhas desculpas, jovem senhorita. Diga de quanto precisa, estou com pressa. — A voz dele soou baixa e afiada, enquanto uma de suas mãos vasculhava o bolso interno do casaco e sacava um talonário. — Tome isso como ressarcimento.
— O que foi? Vai correr pro seu túmulo e voltar do outro lado para reencarnar? — Yasmin inspecionou o modo arrogante como ele se mantinha, zombando de todo aquele absurdo ao ponto de rir do desprezo.
Yasmin deteve-se propositalmente e decidiu prosseguir.
— Fique tranquilo, ainda restam três meses de vida com esse veneno. Mas, claro, se não encontrar uma cura pro seu problema, nem orações divinas poderão salvá-lo.
— Do que está falando? — As pupilas de Gabriel contraíram-se repentinamente e ele endureceu sua fala.
— Calhou apenas que eu entenda um pouco da arte da medicina... A propósito, você também deve ter dormência nas pernas, insônia e falta de apetite, não é? Uma pessoa tão nova já carrega tantos problemas, fico a me perguntar... — Yasmin encolheu seus ombros levemente e provocou.
— Melhor investir esse dinheirinho com alguns doutores!
Yasmin deu as costas e andou, sem ligar para ele.
Yasmin não era mulher de amansar homens com atitudes arrogantes como aquela.



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