“Então coma aqui mesmo.” Gleison ordenou de maneira autoritária.
No segundo seguinte, Florença viu Gleison tirar de algum lugar uma grande marmita cor-de-rosa e colocá-la sobre a mesinha à sua frente.
?
Florença ficou surpresa por um instante, olhando para a marmita repleta de diversos ingredientes. “Tão farto assim?”
O filé de frango que estava dentro até tinha formato de coração.
Ficava claro que quem preparou a marmita tinha se empenhado muito.
“Então, não vou recusar.” Florença pegou o garfo e começou a comer concentrada.
Fazer uma visita e ainda receber comida, estava ótimo.
O interior do carro permaneceu extremamente silencioso; enquanto Florença comia, Gleison revisava os documentos em suas mãos.
Florença terminou a refeição rapidamente.
Gleison olhou para ela e lhe entregou uma pequena garrafinha de leite. “Beba.”
Florença pegou, abriu a tampa e em poucos goles terminou tudo.
Gleison ficou satisfeito.
Ele falou em tom calmo: “Pode ir.”
Florença: “?”
Ela já podia ir embora?
O olhar profundo de Gleison permaneceu fixo nela, sua voz era grave. “Se houver algo que não consiga resolver, me avise imediatamente.”
Florença não compreendeu totalmente aquelas palavras, mas assentiu obedientemente. “Está bem.”
Ela abriu a porta do carro e desceu.
Gleison ficou observando pelo retrovisor a figura da jovem se distanciando, seu olhar aos poucos ficando sombrio.
Na vida passada, havia tantas coisas que queria lhe dizer, mas no final só pôde ver seu corpo sem vida.
Nesta vida, ele jamais permitiria que Florença desaparecesse novamente diante de seus olhos.
——
À noite, Gisele e Alvito retornaram para casa.
Alvito perdeu logo o apetite e subiu direto para o quarto.
“Alvito.” Cláudia o chamou. “Amanhã, quando for para a escola, fale com Florença, peça que ela volte para termos uma boa conversa.”
Alvito se recordou das palavras duras que dissera ao sair da escola, até afirmando que não a reconheceria mais como irmã, e agora teria que procurá-la no dia seguinte?
Ele não conseguia engolir o orgulho.
“Por que eu? Quem foi que insistiu que tinha sido Florença?”
As palavras de Alvito serviram de alerta para todos.
Afinal, quem foi que, sem apurar os fatos, acusou Florença de ter divulgado tudo?
Refletindo bem, no momento em que souberam que a verdade veio à tona, todos instintivamente acreditaram que Florença era a responsável.
Porque Florença era a principal beneficiada.
Na visão deles, Florença só queria mesmo o status de filha da família Braga; ao tornar tudo público, todos passariam a saber que ela era a verdadeira herdeira da família Braga, e ninguém cogitou a hipótese de alguém mais estar envolvido.
Por um momento, ninguém teve nada a dizer.

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