Marta sorriu.
Um sorriso que não alcançava os olhos.
Ela disse a Lurdes:
— Minha situação está bem parecida com a sua agora. Encurralada por todos os lados.
Lurdes franziu a testa.
Marta disse:
— Vem tomar um drinque comigo. Sorte que sou prevenida e tenho uns imóveis secretos, senão agora eu estaria morando debaixo da ponte.
Marta levou Lurdes a um apartamento de luxo.
— Sinta-se à vontade.
Marta foi até o bar e pegou duas garrafas de vinho.
Ela fechou as cortinas.
A luz do sol foi instantaneamente bloqueada, e a sala de estar mergulhou na penumbra.
As duas pareciam ratos escondidos na escuridão, incapazes de encarar a luz do dia.
Marta, com duas taças de cristal nos dedos, sentou-se no tapete.
Abriu uma garrafa de vinho.
Marta tomou a iniciativa de servir uma taça para Lurdes.
— Um brinde.
Lurdes encarou a taça à sua frente.
Como se tomasse uma decisão.
Ergueu-a.
E bebeu tudo de uma vez.
O vinho era forte e fez Lurdes tossir até seus olhos lacrimejarem.
Marta bebeu três taças seguidas.
De repente, ela riu.
— Lurdes, sabe por que desde pequenas eu sempre competi com você, sempre quis te superar, sempre quis roubar o primeiro lugar?
Lurdes balançou a cabeça.
Marta disse:


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