Karine bocejou, esfregando os olhos.
— Tô caindo de sono… Aquele desgraçado do Cristiano.
— Ele ligou? — Perguntou Isabela.
— Pois é. Quando soube que você não tinha sido levada para a delegacia, ficou perguntando sem parar onde você estava.
Isabela ficou em silêncio.
“Perguntando onde eu estava?
E, quando não conseguia arrancar uma resposta, jogava toda a culpa nas costas do Sérgio. Claro.
Um homem como ele… Tsc."
Ela pegou o celular e deu uma olhada. Vários números desconhecidos. Chamadas desde uma da madrugada até meia hora atrás. Devia ser tudo dele.
Ainda pensava nisso quando o telefone vibrou outra vez. Renato.
Atendeu.
— Alô.
— Sou eu.
Não era a voz do Renato.
Era a do Cristiano.
Isabela permaneceu em silêncio.
Fez um biquinho de impaciência e já ia desligar quando, antes mesmo de afastar o celular da orelha, a voz rouca dele atravessou a linha.
— Onde você tá?
Não era só rouquidão. A voz dele soava cansada. Exausta.
Isabela respondeu, calma demais.
— Não tô no centro de detenção. E também não preciso que você vá lá me tirar.
O tom era neutro. Tão neutro que parecia que a atitude dele no dia anterior não tinha significado absolutamente nada.
E foi justamente essa calma que fez o coração de Cristiano, do outro lado da linha, afundar num vazio estranho.
— Eu…
A palavra ficou suspensa, incapaz de continuar.
Isabela falou então, firme e fria.
— Se o que eu faço tá certo ou errado, não cabe a você julgar. Muito menos decidir se eu devo ou não pagar esse preço.
Cristiano ficou em silêncio.
Aquelas palavras apertaram ainda mais o peito dele, como se o ar tivesse sido arrancado de uma vez.
— Onde você tá, afinal? — Insistiu. — Eu vou te buscar.

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Os comentários dos leitores sobre o romance: Abortos Repetidos e Nenhuma Piedade: Os Culpados Vão Pagar