Isabela também acabou vendo, de relance, o número na tela.
Ao pensar que Cristiano, por causa do divórcio, vinha grudando em Sérgio sem largar do pé, sentiu-se ainda mais constrangida.
Sérgio simplesmente desligou a chamada.
— Desculpa. — Isabela falou novamente.
Qualquer pessoa, colocada numa situação daquelas, provavelmente ficaria incomodada.
— Não é culpa sua. — Respondeu Sérgio.
— Eu também não imaginei que ele teria esse tipo de reação. — Disse Isabela, em voz baixa.
Antes, Sérgio havia dito que, já que Cristiano queria entender tudo errado, então que entendesse errado mesmo.
Que o foco fosse apenas o divórcio.
Mas o resultado tinha sido outro.
Isabela admitiu abertamente que gostava de Sérgio e, ainda assim, Cristiano se recusou a se divorciar.
Pior: passou a persegui-lo sem parar.
Um verdadeiro desgraçado.
Chegava a dar vontade de aconselhar qualquer mulher prestes a se casar: não importa o quanto você ame alguém, antes do casamento, veja se essa pessoa é capaz de se separar de forma decente.
Porque, depois que o casamento gruda, livrar-se dele não é nada fácil.
A comida ficou pronta.
Isabela mandou preparar muitos pratos.
Não sabia exatamente do que Sérgio gostava, então pediu um pouco de tudo.
De tudo mesmo.
Sérgio olhou para a mesa cheia e arqueou levemente a sobrancelha.
— Tudo isso?
— É um almoço de desculpas. Tem que mostrar sinceridade. — Disse Isabela. — Mesmo sabendo que essa refeição não compensa os problemas que eu te causei.
E não eram apenas problemas.
Havia também toda a ajuda que Sérgio tinha lhe dado.
Agora, Lílian estava completamente encurralada.
Não apenas a reputação dela tinha sido manchada, como também aquela imagem de mulher forte e bem-sucedida, da qual sempre se orgulhara, estava seriamente abalada.
E ainda havia a mãe dela…
Antes, Lílian sempre se apoiara no fato de Isabela ser a única princesinha da família Dias, fazendo o que bem entendia, sem limites.
Agora, tudo isso estava em pleno processo de desmoronamento.
Sérgio arregaçou as mangas com naturalidade, pegou um camarão, descascou com calma e o colocou no prato de Isabela.
Ela se surpreendeu por um instante, depois reagiu rápido:
— Obrigada.
— Se for levar tudo de volta pro país Y, os trâmites vão demorar bastante. — Comentou Sérgio.
— Eu sei. Mas, mesmo assim, tem que levar. — Respondeu Isabela. — Não dá pra deixar pra trás.
Afinal, era o fruto do trabalho dela.
Abrir mão daquilo simplesmente não era uma opção.
Mover uma empresa daquele porte levava tempo e exigia paciência.
Mas, diante da confusão em que o divórcio com Cristiano tinha se transformado, isso parecia quase inevitável.
No início, ela tinha pensado em resolver tudo com um acordo amigável.
Agora, estava claro: ele não tinha a menor intenção de se divorciar.
Do lado dela, o caminho mais provável seria iniciar um processo judicial.
Sérgio assentiu.
— Faz sentido. Vai dar trabalho, mas eu posso cuidar de tudo aqui em Nova Aurora. No país Y, seu irmão te ajuda.
— Eu mesma resolvo. — Disse Isabela, quase de imediato. — Não posso continuar te dando trabalho.
Só a situação com Cristiano já fazia com que ela se sentisse em dívida com Sérgio.
Ele tinha ajudado demais.
Sérgio não respondeu.
Apenas permaneceu em silêncio, observando Isabela.

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